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Nada, abismo, ser – Perspectiva
- Determinação do ponto de vista e do princípio da filosofia hegeliana.
- Ponto de vista: o idealismo absoluto, compreendido como a incondicionalidade do ego-cogito certum, expressão do conceito de ab-soluto.
- Princípio: a substancialidade é a subjetividade; o ser compreendido como devir do saber absoluto.
- Caracterização da negatividade hegeliana como diferença da consciência.
- Questão fundamental: se essa diferença é derivada da própria essência da consciência, ou se é empregada para determinar a relação sujeito-objeto, ou ainda ambas as coisas e por quê.
- Esclarecimento da negatividade na forma do ser outro: algo e o outro; o outro enquanto o outro do outro.
- A negatividade não pode ser deduzida a partir do conceito hegeliano de nada, embora pareça ser a encarnação da não-idade (Nichtheit).
- O ser e o nada em Hegel não são diferentes; nesse ponto não há ainda diferença nem negatividade.
- O conceito hegeliano de ser resulta da redução (Ab-bau) da realidade absoluta.
- O ser é o extremo oposto da realidade absoluta — sua alienação extrema.
- Contudo, a realidade absoluta é vontade.
- A realidade absoluta, como ser em sentido amplo, apresenta-se como negativa em face da fundamentação sistemática da diferença entre ser e ente.
- Essa negação, já consumação do abandono, provém do esquecimento da diferença.
- O esquecimento nasce do hábito que banaliza a diferença.
- A redução necessária emerge dessa negação, enraizada na essência do absoluto e da própria metafísica.
- A negação essencial é o pressuposto necessário para a possível absoluta liberdade do pensar incondicionado.
- A partir desse ponto, infere-se a resolução (Auflösung) da negatividade na positividade do absoluto.
- A negatividade é a energia do pensar incondicionado, pois contém em si todo o elemento negativo desde o início.
- Perguntar pela origem da negatividade é destituído de sentido, já que a negatividade é o inquestionável, essência da subjetividade.
- A negatividade, como negação da negação, funda o sim da autoconsciência incondicionada — a certeza absoluta como verdade, ou seja, a entidade do ente.
- A inquestionabilidade da negatividade decorre da inquestionabilidade do próprio pensar.
- O pensar realiza-se como representação do ente e como projeção do horizonte de interpretação do ser — perceptibilidade, presença e pensabilidade.
- A evidência do pensar constitui a distinção essencial do homem enquanto animal racional.
- Desde Descartes, a entidade do ente é o representar; a consciência é autoconsciência.
- A inquestionabilidade da negatividade conduz à pergunta pela relação do homem com o ser, e não apenas com o ente.
- Esta é a verdadeira questão do antropomorfismo.
- O ser deve ser interrogado não a partir do ente nem em direção a ele como entidade, mas no retorno a si mesmo, à sua verdade.
- O claro do ser se indica por uma meditação sobre a ainda inconcebida unidade do pensar: representar algo como algo à luz do ser.
- O claro é o abismo — a nada, não como nulidade, mas como força gravitacional autêntica, o próprio ser (Seyn).
- O ser é distinto do ente.
- Torna-se questionável caracterizar a relação entre ser e ente como mera diferença.
- A superação dessa questão requer compreender o ser como projeto, sendo o projetar o próprio ser-aí.
- A negatividade, para o pensar metafísico, é absorvida na positividade.
- A nada é o abissal em relação ao ser (Seyn), e, enquanto tal, sua própria essência.
- O ser (Seyn) manifesta-se em sua singularidade, como finitude; contudo, essa caracterização é facilmente mal interpretada.
- Pensar a nada significa interrogar a verdade do ser (Seyn) e experimentar a carência do ente em sua totalidade.
- Pensar a nada não é nihilismo.
- A essência do nihilismo consiste em esquecer a nada, desviando-se na maquinação do ente.
- O domínio da maquinação do ente evidencia-se no fato de que a metafísica, fundamento dessa maquinação, rebaixa o ser a mera nulidade.
- Em Hegel: a nada reduzida a pura indeterminação e imediaticidade — ausência de pensamento.
- Em Nietzsche: o ser como o último sopro de uma realidade evaporada.
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