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23. Efetividade/Realidade
Besinnung (1938/39), ed. F.-W. von Herrmann, 1997, XIV, 438p.
76. O ente determina-se precocemente como aquilo que mais tarde e ainda hoje se chama “o efetivamente-real”, determinação que se funda na interpretação inicial do ser como presença e permanência, sendo a interpretação do εἶναι como ἐντελέχεια o consumar-se da presença do presente enquanto presença mesma e pura, correspondendo à ἐνέργεια a prontidão e o ter-sido-produzido, isto é, a presença pura e simples do produzido, do estável e do permanente.
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Nesse ponto concentra-se e adensa-se a interpretação inicial do ser sobre aquela entidade (Seiendheit) que, apreendida como ἰδέα, fica encerrada no horizonte diretivo da representação imediata, do puro contemplar
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Essa interpretação grega e genuinamente inicial do ser não é mantida em sua altura e pureza sequer dentro do próprio pensamento grego, sendo logo entendida coisificadamente pela “filosofia popular”, especialmente na Estoa, e depois igualmente remodelada cristãmente como ens enquanto ens creatum, do que é sinal a tradução aparentemente indiferente de ἐνέργεια e ἐντελέχεια por actus, agere
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O ente torna-se o produzido, ou sua “causa” torna-se o simplesmente atuante, remodelado ainda uma vez como “o efetivamente-real”, não o “aparente”, enquanto objeto e objetividade, retorno apenas parcial à ἐντελέχεια, pois agora tudo se refere ao sujeito e à consciência; o efetivamente-real é, ao mesmo tempo, o atuante-eficaz (Wirksame), sendo este também tomado como o “verdadeiro”
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Possibilidade e necessidade não são apenas cada uma referida ao ser (efetividade) em sua essência, mas determinadas, junto com a efetividade em sua tríade, a partir da mesma raiz que a interpretação inicial do ser como presença e permanência; em outras palavras, não existe propriamente um “problema das modalidades”, sendo este apenas o encobrimento da origem da interpretação inicial do ser e o impedimento da questão originária do ser sob a aparência de uma sutileza metafísica vazia, o mesmo valendo para as “doutrinas das categorias”, que surgem como questionamentos aparentes a partir da fuga para uma ausência de questionamento do mais digno de ser questionado, ainda por cima não reconhecida como tal
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