GA62:346-347 – ASPECTOS DA INTERPRETAÇÃO
O conteúdo (Sachgehalt) de toda interpretação, isto é, o objeto temático no modo como está sendo interpretado, só é capaz de falar adequadamente por si mesmo quando a situação hermenêutica dada — à qual toda interpretação é relativa — é disponibilizada em distinção suficiente e clara.
Toda interpretação, cada uma de acordo com um campo específico e uma reivindicação de conhecimento, tem o seguinte:
(1) um ponto de vista (Blickstand) que é mais ou menos expressamente apropriado e (347) fixado;
(2) uma direção de visão (Blickrichtung) que é motivada pelo ponto de vista e dentro da qual o “como-que” (als-was) e o “que-com-respeito-a-o-que” (woraufhin) da interpretação são determinados. O objeto da interpretação é apreendido antecipadamente no “como-o-quê” e é interpretado de acordo com o “isso-com-respeito-a-o-quê”;
(3) uma faixa de visão (Sichtweite) que é limitada pelo ponto de vista e pela direção da visão, e dentro da qual a pretensão de objetividade da interpretação se move.
A possível realização da interpretação e da compreensão, bem como a apropriação do objeto que ocorre dessa forma, são transparentes na medida em que a situação — na qual e/ou a qual uma interpretação se desenvolve — é iluminada de acordo com os aspectos mencionados acima. A hermenêutica de cada situação respectiva tem de desenvolver a transparência da situação e tem de trazer essa transparência, como hermenêutica, para a abordagem da interpretação.
