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GA6 – VONTADE E QUERER

Nós ouvimos: o caráter fundamental do ente é vontade de poder, querer e, portanto, devir. GA6MAC I

Vontade de poder é, então, vontade de vontade, ou seja, querer é: querer a si mesmo. GA6MAC I

A vontade traz a cada vez a partir de si mesma uma determinação corrente para o interior do seu querer. GA6MAC I

Por outro lado, a vontade é decisão para si – é sempre: querer para além de si. GA6MAC I

Se Nietzsche acentua em muitos aspectos o caráter de comando da vontade, então ele não designa uma prescrição e uma indicação para a realização de uma ação; ele também não visa ao ato de vontade no sentido de uma resolução, mas antes o pensa no sentido de uma decisão – aquilo por meio do que o querer pode se ligar ao que quer e ao que é querido, assim como essa ligação como decisividade fundada e permanente. GA6MAC I

Porquanto a vontade é decisão por si mesma como um assenhoramento que se estende para além de si; porquanto a vontade é querer para além de si, a vontade é potencialidade que se potencializa para o poder. GA6MAC I

Nunca podemos nos decidir a ter uma vontade, no sentido de que poderíamos nos arrogar uma vontade; pois toda decisão se mostra como o querer mesmo. GA6MAC I

Se dizemos que ele quer ter sua vontade levada a termo dessa ou daquela forma, então ter-vontade significa aqui tanto quanto se encontrar propriamente em meio a seu querer, reter-se em toda a sua essência e ser senhor sobre ela. GA6MAC I

A vontade só é vontade como querer-para-além-de-si-mesmo, como mais-querer. GA6MAC I

No entanto, se a vontade é um querer-para-além-de-si, então reside nesse para-além-de-si-mesmo o fato de a vontade não se estender simplesmente para fora de si, mas se inserir concomitantemente no querer. GA6MAC I

O fato de aquele que quer querer se inserir em sua vontade significa: no querer torna-se manifesto o querer e, juntamente com ele, aquele que quer e aquilo que é querido. GA6MAC I

O que se abre na vontade – o querer mesmo como de-cisão – é agradável àquele para o qual ele se abre, é agradável para aquele mesmo que quer. GA6MAC I

Na medida em que a vontade mesma tem, contudo, aquela pluralidade de figuras já indicada que é intrínseca ao querer-para-além-de-si; e na medida em que tudo isso se torna manifesto na totalidade, pode-se constatar o seguinte: na vontade esconde-se uma multiplicidade de sentimentos. GA6MAC I

Nenhuma caracterização da vontade é mais frequente em Nietzsche do que a que acaba de ser citada: querer é comandar; na vontade reside o pensamento que comanda; nenhuma outra concepção da vontade, contudo, acentua mais decididamente do que essa também a essencialidade do saber e da representação na vontade. GA6MAC I

Na vontade como querer-ser-mais, na vontade como vontade de poder, reside essencialmente a intensificação, a elevação; pois somente em meio à elevação constante é possível manter elevada e em cima a própria altura. GA6MAC I

Poder é vontade como querer-para-além-de-si. GA6MAC I

Se a relação com o belo, o deleite, é determinada como “desinteressada”, então o estado estético se mostra, de acordo com Schopenhauer, como uma suspensão da vontade, um aquietamento de toda a aspiração, o puro aquietar-se, o puro não mais-querer, o puro pairar na ausência de participação. GA6MAC I

Em todo caso, a reelaboração mencionada mostra que a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo se compertencem; se as coisas não fossem assim, com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político GA6MAC II

Em todo caso, a reelaboração mencionada mostra que a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo se compertencem; se as coisas não fossem assim, com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político” qualquer dispõe dele em função de seus próprios propósitos? Nesse caso, a caracterização do ente como vontade de poder seria apenas o desdobramento do projeto original e primário do ente enquanto GA6MAC II

Em todo caso, a reelaboração mencionada mostra que a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo se compertencem; se as coisas não fossem assim, com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político” qualquer dispõe dele em função de seus próprios propósitos? Nesse caso, a caracterização do ente como vontade de poder seria apenas o desdobramento do projeto original e primário do ente enquanto eterno retorno do mesmo. GA6MAC II

com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político” qualquer dispõe dele em função de seus próprios propósitos? Nesse caso, a caracterização do ente como vontade de poder seria apenas o desdobramento do projeto original e primário do ente enquanto eterno retorno do mesmo. GA6MAC II

Mas o que significa, afinal, “vontade de poder”? Compreendemos sem dúvida alguma o que “vontade” significa, uma vez que experimentamos algo desse gênero em nós mesmos, seja no querer, seja mesmo no não querer. GA6MAC III

Como devemos compreender isso? Na melhor das hipóteses, o poder pode se mostrar como aquilo que a vontade de poder quer, ou seja, a finalidade diversa desse querer que é estabelecida antes dele. GA6MAC III

A vontade humana “precisa de um fito – e ela ainda prefere querer o nada a não querer”. GA6MAC V

Não é diante do nada que a vontade se apavora, mas diante do não querer, da aniquilação de sua própria possibilidade essencial. GA6MAC V

E é precisamente desse “fato fundamental” da vontade humana, do fato de que a vontade humana ainda prefere a vontade de nada ao não querer, que Nietzsche deduz o fundamento demonstrativo para a sua sentença de que a vontade é, em sua essência, vontade de poder (cf Genealogia da moral, VII, p 399; 1887). GA6MAC V

Qualquer um pode experimentar em si mesmo a qualquer momento o que significa “vontade”: querer é aspirar a algo. GA6MAC VI

Essa vontade ainda está no querer do servo; e isso não na medida, por exemplo, em que ele aspira a se libertar do papel do escravo, mas na medida em que ele é escravo e servo e, enquanto tal, sempre tem sob si o objeto de seu trabalho, o qual ele “comanda”. GA6MAC VI

Querer nunca seria querer ser senhor se a vontade só permanecesse um querer e uma aspiração, ao invés de ser desde o seu fundamento tão somente: comando. GA6MAC VI

Caso queira a si mesma e caso queira uma meta em sintonia com o seu modo de ser, a nova humanidade em meio ao ente, que é na totalidade desprovido de metas e, enquanto tal, vontade de poder, precisa querer necessariamente o além-do-homem: “Não a ‘humanidade’, mas o além-do-homem é a meta!” (A vontade de poder, n 1001). GA6MAC VI

No tempo da mais luminosa claridade, uma vez que o ente na totalidade se mostra como eterno retorno do mesmo, a vontade precisa querer o além-do-homem; pois só sob a perspectiva do além-do-homem é possível suportar o pensamento do eterno retorno do mesmo. GA6MAC VI

Para a sua própria essência, a própria incondicionalidade consumada da vontade de poder exige como condição que a humanidade consonante com essa subjetividade queira a si mesma e possa apenas querer a si mesma, na medida em que se determina lúcida e voluntariamente para a cunhagem do homem niilisticamente invertido. GA6MAC VI

Se o ente na totalidade é eterno retorno do mesmo, então só resta à humanidade que precisa conceber a si mesma em meio a essa totalidade como vontade de poder a decisão sobre se ela não quer antes o nada experimentado niilisticamente do que o não querer em geral, e, com isso, do que o abandono de sua possibilidade essencial. GA6MAC VI

O elemento mais íntimo que impele a vontade de poder ao seu extremo é o fato de ela querer a si mesma em sua superpotencialização: de ela querer a subjetividade incondicionada, mas invertida. GA6MAC VI

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