GA6 – VONTADE E ETERNO RETORNO DO MESMO
Se não desenvolvermos agora de maneira pensante um modo de colocação do problema que esteja em condições de conceber a doutrina do eterno retorno do mesmo, a doutrina da vontade de poder e essas duas doutrinas em sua conexão interna homogeneamente como transvaloração de todos os valores, e se não alcançarmos o ponto a partir do qual é possível tomar esse modo fundamental de colocação do problema como um modo ao mesmo tempo necessário no curso da metafísica ocidental, então não apreenderemos jamais a filosofia de Nietzsche. GA6MAC I
A doutrina do eterno retorno do mesmo e a doutrina da vontade de poder se compertencem da maneira mais intrínseca possível. GA6MAC I
Ora, mas em que medida se compertencem essencialmente as doutrinas do eterno retorno do mesmo e da vontade de poder? Essa pergunta precisará nos mobilizar mais aprofundadamente, e, em verdade, como a pergunta decisiva. GA6MAC I
O que é e como é a própria vontade de poder? Resposta: o eterno retorno do mesmo. GA6MAC I
Ao contrário, se Nietzsche foi realmente o pensador que estamos convictos de que ele é, então é preciso que a demonstração da vontade de poder tenha girado constantemente em torno do pensamento do ser do ente, o que significa para ele: que ela tenha girado constantemente em torno do eterno retorno do mesmo. GA6MAC I
Junto a essa interpretação, “o amarelo profundo” é a cor do eterno retorno do mesmo, “o vermelho ardente”, a cor da vontade de poder. GA6MAC II
No entanto, uma vez que algo “novo e essencial” vem à tona com a expressão “vontade de poder” no interior do pensar nietzschiano, e, em verdade, visto em termos temporais, depois da experiência do pensamento do eterno retorno, é preciso que perguntemos como esses dois pensamentos – “vontade de poder” e “eterno retorno do mesmo” – se relacionam mutuamente. GA6MAC II
Será que a doutrina do eterno retorno do mesmo se torna supérflua com o novo pensamento, ou será que esse novo pensamento é compatível com ela? Será que a doutrina do retorno não é apenas compatível com o pensamento da vontade de poder, mas se mostra mesmo como seu fundamento próprio e único? De maneira correspondente à apresentação que estamos empreendendo aqui e sem nos deixarmos confundir pela “obra” composta pelos editores e intitulada A vontade de poder, precisamos tentar fixar o que se acha presente diante de nós no interior dos manuscritos póstumos do período de 1884 a 1888. GA6MAC II
Contudo, mesmo se esse fosse o caso – se a vontade de poder fosse o pressuposto para o eterno retorno do mesmo –, não seguiria daí absolutamente que a vontade de poder exclui a doutrina do eterno retorno porque esses dois pensamentos não são compatíveis. GA6MAC II
É o inverso que seguiria muito mais daí: a vontade de poder requer o eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
Por conseguinte, resta apenas a pergunta: Como se relacionam a vontade de poder como a constituição corrente do ente e o eterno retorno do mesmo como o modo de ser do ente na totalidade? O que significa o fato de Nietzsche estipular a vontade de poder como “pressuposto” para o eterno retorno do mesmo? Como ele compreende aqui o termo “pressuposto”? Nietzsche chegou a estabelecer um conceito claro e bem fundamentado dessa relação aqui vigente? De fato, ele não chegou a ter nenhuma intelecção clara, e, sobretudo, não alcançou nenhuma intelecção conceitual da relação que já citamos, mas que ainda não examinamos. GA6MAC II
A vontade de poder pode ser um “pressuposto” para o eterno retorno do mesmo: 1) Porquanto o eterno retorno do mesmo pode ser demonstrado a partir da vontade de poder como o caráter de força da totalidade do mundo. GA6MAC II
A vontade de poder seria, então, o fundamento do cognitivo para o eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
A vontade de poder seria, assim, o fundamento objetivo para o eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
Com essas perguntas, já estamos antecipando alguns passos decisivos da interpretação e determinação da relação entre o eterno retorno do mesmo e a vontade de poder. GA6MAC II
Na segunda versão, ele nos diz: “Esse mundo é vontade de poder – e nada além disso!” Uma vez mais nos vemos diante de uma questão que já veio ao nosso encontro muitas vezes: a questão acerca de se queremos permanecer presos apenas à diferença extrínseca do conteúdo literal das sentenças e dos termos “eterno retorno do mesmo” e “vontade de poder” – ou se sabemos que uma filosofia só é concebível quando tentamos pensar o que foi dito por ela. GA6MAC II
Em todo caso, a reelaboração mencionada mostra que a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo se compertencem; se as coisas não fossem assim, com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político GA6MAC II
Em todo caso, a reelaboração mencionada mostra que a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo se compertencem; se as coisas não fossem assim, com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político” qualquer dispõe dele em função de seus próprios propósitos? Nesse caso, a caracterização do ente como vontade de poder seria apenas o desdobramento do projeto original e primário do ente enquanto GA6MAC II
Em todo caso, a reelaboração mencionada mostra que a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo se compertencem; se as coisas não fossem assim, com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político” qualquer dispõe dele em função de seus próprios propósitos? Nesse caso, a caracterização do ente como vontade de poder seria apenas o desdobramento do projeto original e primário do ente enquanto eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
com que direito se poderia substituir um termo pelo outro? Mas, e se a vontade de poder no sentido mais próprio e intrínseco a Nietzsche não fosse em si mesma outra coisa senão o querer para trás o que foi e o querer para a frente o que precisa ser? E se o eterno retorno do mesmo como acontecimento não fosse outra coisa senão vontade de poder, do modo em verdade como Nietzsche compreende esse termo e não como um ponto de vista “político” qualquer dispõe dele em função de seus próprios propósitos? Nesse caso, a caracterização do ente como vontade de poder seria apenas o desdobramento do projeto original e primário do ente enquanto eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
A vontade de poder é um “pressuposto” para o eterno retorno do mesmo, na medida em que somente a partir da vontade de poder é possível conhecer o que significa eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
Mas, mesmo se essa copertinência essencial entre a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo Vier à luz, não nos encontraremos aqui senão no começo da concepção filosófica; pois logo emerge a pergunta sobre o que afinal é pensado aí e como ele é pensado, uma vez que o ente como tal na totalidade aparece diante do pensamento no sentido do eterno retorno do mesmo e da vontade de poder, assim como de sua copertinência. GA6MAC II
Agora sabemos: Nietzsche dá duas respostas no que diz respeito ao ente na totalidade: o ente na totalidade é vontade de poder e o ente na totalidade é eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
Em contrapartida, se abordarmos o problema a partir da questão diretriz desdobrada, então se mostrará o seguinte: nessas duas sentenças centrais – “o ente na totalidade é vontade de poder” e “o ente na totalidade é eterno retorno do mesmo” –, o “é” designa a cada vez uma coisa diversa. GA6MAC II
A determinação “vontade de poder” dá uma resposta à pergunta sobre o ente em vista de sua constituição; a determinação “eterno retorno do mesmo” dá uma resposta à pergunta sobre o ente em vista de seu modo de ser. GA6MAC II
De acordo com isso, vontade de poder e eterno retorno do mesmo também se compertencem então na filosofia nietzschiana. GA6MAC II
Dessa forma, não é desde o princípio senão um equívoco, ou melhor, uma incompreensão metafísica, quando comentadores tentam jogar a vontade de poder contra o eterno retorno do mesmo e excluir este último pensamento da determinação metafísica do ente. GA6MAC II
A reconversão do deveniente em ente – a vontade de poder em sua figura mais elevada –, é em sua essência mais profunda, instantaneidade, isto é, eterno retorno do mesmo. GA6MAC II
A vontade de poder como a constituição do ente é apenas como ela é em razão do modo de ser em vista do qual Nietzsche projeta o ente na totalidade: “Segundo a sua possibilidade interna e em essência, a vontade de poder é eterno retorno do mesmo.” GA6MAC II
Isso não poderia ser dito de maneira mais clara: 1) como e sobre que base é visada a cunhagem do ser sobre o devir; 2) o fato de o pensamento do eterno retorno do mesmo permanecer o pensamento dos pensamentos mesmo e justamente no tempo do aparente primado do pensamento da vontade de poder; o fato de o pensamento do eterno retorno do mesmo permanecer o pensamento que a filosofia nietzschiana nunca cessa de pensar. GA6MAC II
No sentido dado pelo pensador Nietzsche, o nome mítico Dionísio só se torna um nome transpassado inteiramente pelo pensamento quando tentamos pensar a copertinência entre “vontade de poder” e “eterno retorno do mesmo”, isto é, quando procuramos por aquelas determinações ontológicas que dirigem desde o início do pensamento grego todo pensar sobre o ente como tal na totalidade. – ( GA6MAC II
Com isso, dissemos ao mesmo tempo que o outro pensamento nietzschiano, o pensamento do eterno retorno do mesmo, está necessariamente incluído no pensamento da vontade de poder. GA6MAC III
Os dois – vontade de poder e eterno retorno do mesmo – dizem o mesmo e pensam o mesmo caráter fundamental do ente na totalidade. GA6MAC III
O pensamento do eterno retorno do mesmo é o acabamento interno – não ulterior – do pensamento da vontade de poder. GA6MAC III
Exatamente por isso, o eterno retorno do mesmo é pensado antes em termos cronológicos do que o pensamento da vontade de poder. GA6MAC III
A determinação da conexão entre o eterno retorno do mesmo e a vontade de poder exige os seguintes passos: 1) O pensamento do eterno retorno do mesmo pensa antecipadamente o pensamento fundamental da vontade de poder em termos de história da metafísica, ou seja, em seu acabamento. GA6MAC IV
Ao contrário, Nietzsche pensa a sua interpretação do ser do ente como vontade de poder na unidade essencial com aquela determinação do ser que despontou na expressão “eterno retorno do mesmo”. GA6MAC IV
Em termos cronológicos, o pensamento do eterno retorno do mesmo foi concebido por Nietzsche antes da vontade de poder, apesar de podermos encontrar, em verdade, bem cedo ressonâncias com ela. GA6MAC IV
Se a vontade de poder é o caráter essencial da entidade do ente, então ela precisa pensar o mesmo que o eterno retorno do mesmo pensa. GA6MAC IV
O fato de os dois pensamentos pensarem o mesmo – a vontade de poder em termos modernos, o eterno retorno do mesmo em termos da história do fim torna-se visível quando nos aproximamos de uma meditação sobre o projeto diretriz de toda metafísica. GA6MAC IV
De início, porém, também podemos tentar ser guiados até a identidade entre “eterno retorno do mesmo” e “vontade de poder” no campo de visão da metafísica e com o auxílio de suas distinções. GA6MAC IV
Esse caminho até a visão da unidade interna entre esses dois pensamentos é percorrido pelas preleções “A vontade de poder enquanto arte” e “O eterno retorno do mesmo”. GA6MAC IV
De antemão, o eterno retorno do mesmo e a vontade de poder são concebidos como determinações fundamentais do ente na totalidade e enquanto tal, e, em verdade, a vontade de poder como a cunhagem do o-que-ser (quididade) intrínseca ao fim da história e o eterno retorno do mesmo como a cunhagem do que-ser (quodidade). GA6MAC IV
É de se espantar que a distinção entre o o-que-é e o fato-de-que-é reapareça ainda uma vez na consumação da metafísica ocidental com um extremo aguçamento, mas que isso se dê ao mesmo tempo de um tal modo que a distinção é esquecida enquanto essa distinção e as duas determinações fundamentais do ente na totalidade – a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo – são ditas metafisicamente de uma maneira por assim dizer desprovida de terra natal, que as torna, porém, incondicionadas? A vontade de poder diz o que o ente “é”, ou seja, aquilo como o que ele vigora (como poder). GA6MAC IV
Com base nessa coesão do fato-de-ser com o o-que-é (a coesão que está agora na direção oposta à contenção do estin no eivou do ontos ón enquanto idea, a vontade de poder e o eterno retorno do mesmo não precisam mais se compertencer apenas como determinações do ser, mas precisam dizer o mesmo. GA6MAC IV
Em termos da metafísica do fim da história, o pensamento do eterno retorno do mesmo exprime a mesma coisa que a vontade de poder enquanto o caráter fundamental da entidade do ente diz em termos da consumação da modernidade. GA6MAC IV
Tão logo estivermos em condições de pensar completamente a pura mesmidade de vontade de poder e eterno retorno do mesmo segundo todas as suas direções e em figuras plenas de conteúdo, teremos encontrado a base sobre a qual é possível mensurar pela primeira vez os dois pensamentos fundamentais separadamente de acordo com a sua amplitude metafísica. GA6MAC IV
O mesmo que é dito na unidade essencial da vontade de poder e do eterno retorno do mesmo é a última palavra da metafísica. GA6MAC IV
No eterno retorno do mesmo, a essência intrínseca ao fim da história e característica da última intepretação metafísica da entidade como vontade de poder é concebida de tal modo que fracassa toda possibilidade de a essência da verdade se tornar o que há de mais digno de questão. GA6MAC IV
O caráter fundamental do ente enquanto vontade de poder determina-se, com isso, ao mesmo tempo como “eterno retorno do mesmo”. GA6MAC V
Assim, ainda denominamos um outro termo central da metafísica de Nietzsche e indicamos, além disso, algo essencial: é somente a partir da essência suficientemente concebida da vontade de poder que se torna compreensível por que o ser do ente na totalidade precisa ser eterno retorno do mesmo; e, inversamente: é somente a partir da essência do eterno retorno do mesmo que é possível apreender o cerne essencial mais íntimo da vontade de poder e a sua necessidade. GA6MAC V
Aqui resta atentar para o decisivo: o fato de Nietzsche ter precisado pensar o eterno retorno do mesmo antes da vontade de poder. GA6MAC V
Mas por meio de que homem então? Com o niilismo, isto é, com a transvaloração de todos os valores até aqui em meio ao ente enquanto vontade de poder e em face do eterno retorno do mesmo, torna-se necessário um novo estabelecimento da essência do homem. GA6MAC V
O niilismo clássico, que experimenta enquanto a transvaloração de todos os valores o ente enquanto vontade de poder e que pode admitir o eterno retorno do mesmo como a única meta, precisa criar o próprio homem para “além” de si e criar como medida a figura do “além-do-homem”. GA6MAC V
Os cinco títulos principais mencionados – “niilismo”, “transvaloração de todos os valores até aqui”, “vontade de poder”, “eterno retorno do mesmo”, “além-do-homem” – mostram a metafísica de Nietzsche em um aspecto a cada vez uno, mas respectivamente determinante do todo. GA6MAC V
Portanto, só conseguiremos saber o que significa o “niilismo” no sentido de Nietzsche se concebermos ao mesmo tempo e em sua conexão aquilo que a “transvaloração de todos os valores”, a “vontade de poder”, o “eterno retorno do mesmo” são, assim como quem é o “além-do-homem”. GA6MAC V
A partir da necessidade de pensar a essência do “niilismo” em conexão com a “transvaloração de todos os valores”, com a “vontade de poder”, com o “eterno retorno do mesmo” e com o “além-do-homem”, já é possível supor que a essência do niilismo é em si plurissignificativa, dotada de vários níveis e multiforme. GA6MAC V
Pois mesmo a essência da história é determinada de maneira nova pela metafísica da vontade de poder, o que podemos reconhecer a partir da doutrina nietzschiana do eterno retorno do mesmo e de sua conexão maximamente interna com a vontade de poder. GA6MAC V
A única razão para as exposições inadequadas da doutrina nietzschiana do além-do-homem é o fato de não se ter conseguido levar a sério até aqui a filosofia da vontade de poder enquanto metafísica e conceber metafisicamente as doutrinas do niilismo, do além-do-homem e, antes de tudo, a doutrina do eterno retorno do mesmo como elementos constituintes necessários, o que significa, porém, pensá-las a partir da história e da essência da metafísica ocidental. GA6MAC V
O título diretriz é ora o “eterno retorno do mesmo”, ora “a vontade de poder”, ora a “transvaloração de todos os valores”. GA6MAC VI
“A vontade de poder”, “o niilismo”, “o eterno retorno do mesmo”, “o além-do-homem” e a “justiça” são as cinco expressões fundamentais da metafísica de Nietzsche. GA6MAC VI
Aqui é válido dizer: o ente, que possui enquanto tal o caráter fundamental da vontade de poder, não pode ser na totalidade senão eterno retorno do mesmo. GA6MAC VI
E, inversamente: o ente, que é na totalidade eterno retorno do mesmo, precisa possuir enquanto ente o caráter fundamental da vontade de poder. GA6MAC VI
Porquanto o eterno retorno do mesmo distingue o ente na totalidade, ele é um caráter fundamental do ser que se mostra como copertinente com a vontade de poder; e isso apesar de o “eterno retorno” denominar um “devir”. GA6MAC VI
Ser e devir só se inserem aparentemente em uma contradição porque o caráter de devir da vontade de poder é, em sua essência mais íntima, eterno retorno do mesmo, e, com isso, a constante dotação de consistência ao que é desprovido de consistência. GA6MAC VI
É a própria vontade de poder, o caráter fundamental do ente enquanto tal, e não um “senhor Nietzsche”, que estabelece esse pensamento do eterno retorno do mesmo. GA6MAC VI
Aquele homem, porém, que, em meio ao ente, assume um comportamento em relação ao ente que enquanto tal é vontade de poder e que se mostra na totalidade como eterno retorno do mesmo se chama o além-do-homem. GA6MAC VI
A sua realização inclui o fato de o ente sob o caráter de devir da vontade de poder aparecer a partir da mais luminosa claridade do pensamento do eterno retorno do mesmo. “ GA6MAC VI
No tempo da mais luminosa claridade, uma vez que o ente na totalidade se mostra como eterno retorno do mesmo, a vontade precisa querer o além-do-homem; pois só sob a perspectiva do além-do-homem é possível suportar o pensamento do eterno retorno do mesmo. GA6MAC VI
É somente onde o ente é enquanto tal vontade de poder e, na totalidade, eterno retorno do mesmo, que pode se realizar a inversão niilista do homem até aqui no além-do-homem e que o além-do-homem precisa ser, como o sujeito supremo da subjetividade incondicionada da vontade de poder, um sujeito erigido para si por essa subjetividade mesma. GA6MAC VI
Se o ente na totalidade é eterno retorno do mesmo, então só resta à humanidade que precisa conceber a si mesma em meio a essa totalidade como vontade de poder a decisão sobre se ela não quer antes o nada experimentado niilisticamente do que o não querer em geral, e, com isso, do que o abandono de sua possibilidade essencial. GA6MAC VI
Se o ente enquanto tal é vontade de poder, o ente na totalidade enquanto eterno retorno do mesmo precisa se abater sobre e se apoderar de cada ligação com o ente. GA6MAC VI
Se o ente na totalidade é eterno retorno do mesmo, então o caráter fundamental do ente se torna manifesto como vontade de poder. GA6MAC VI
Se o ente vigora enquanto vontade de poder na totalidade do eterno retorno do mesmo, a subjetividade incondicionada e consumada da vontade de poder precisa se colocar humanamente no sujeito do além-do-homem. GA6MAC VI
A verdade do ente enquanto tal na totalidade é determinada pela vontade de poder e pelo eterno retorno do mesmo. GA6MAC VI
A vontade de poder enquanto o caráter fundamental do ente justifica o eterno retorno do mesmo como a “aparência”, em cujo brilho reluz o mais elevado triunfo da vontade de poder. GA6MAC VI
As cinco expressões fundamentais: “vontade de poder”, “niilismo”, “eterno retorno do mesmo”, “além-do-homem” e “justiça” correspondem à essência quintuplamente articulada da metafísica. GA6MAC VI
Não é nem o reconhecimento do ente como o fato mais elementar (como vontade de poder) que conduz Nietzsche ao pensamento do ser enquanto tal, nem o próprio Nietzsche que alcança esse pensamento sobre o caminho da interpretação do ser como um “valor necessário”, nem o pensamento do eterno retorno do mesmo que se transforma em impulso para refletir sobre a eternidade como instante a partir da subtaneidade do presentar-se iluminado, sobre o retorno como modo da presentação e sobre os dois segundo a sua proveniência essencial a partir do “tempo” inicial. GA6MAC VIII
A experiência fundamental de Nietzsche diz: o ente é o ente enquanto vontade de poder sob o modo do eterno retorno do mesmo. GA6MAC VIII
A “recapitulação” já citada começa, porém, da seguinte forma: “Cunhar sobre o devir o caráter do ser – esta é a mais elevada vontade de poder” Algo desse gênero, a saber, o pensamento do devir como o pensamento do ser da totalidade do ente, ou seja, o pensamento da “vontade de poder” a partir do “eterno retorno do mesmo”, é realizado pela metafísica de Nietzsche como o ideal de sua mais elevada potência. GA6MAC VIII
No âmbito metafísico da ideia da vontade de poder como o eterno retorno do mesmo, só resta a possibilidade de dizer o seguinte para a determinação da ligação do homem com o “ser”: “O eterno desvairado Nos mistura – para dentro!…” A metafísica nietzschiana pensa o caráter de jogo do jogo do mundo do único modo que ela pode pensá-lo: a partir da unidade da vontade de poder e do eterno retorno do mesmo. GA6MAC VIII
A unidade de vontade de poder e eterno retorno do mesmo repousa na co-pertinência entre essentia e existentia, cuja distinção no que diz respeito à sua proveniência essencial permanece obscura. GA6MAC VIII
A unidade de vontade de poder e eterno retorno do mesmo significa: a vontade de poder é, em verdade, a vontade de vontade, em cuja determinação a metafísica da subiectidade (cf p 350 e segs) alcança o ápice de seu desdobramento, isto é, a sua consumação. GA6MAC VIII
