obra:ga49:ga49-2-historicismo-reflexao

§2 Pensamento histórico, explicação historiográfica, reflexão sistemática

  • A apreensão do pensamento de Schelling exige não apenas a correção técnica do entendimento discursivo, mas a disposição para o exercício do pensar autêntico, o qual se distingue da mera repetição do que foi outrora formulado. Essa persistência no pensamento não decorre de um arbítrio subjetivo ou de uma obstinação da vontade, mas de uma necessidade que se impõe ao pensador como um imperativo que transcende sua própria capacidade de cálculo ou fundamentação racional imediata.
  • O surgimento da necessidade de pensar não pode ser fruto de uma deliberação isolada, pois uma compulsão que pudesse ser inteiramente explicada pelo próprio sujeito não exerceria a força de uma verdadeira necessidade. No domínio do pensamento essencial, as experiências misteriosas e as convicções subjetivas cedem lugar à audácia fria, a qual reconhece que o questionamento sistemático é frequentemente obstruído por escrúpulos e hesitações que paralisam o movimento em direção ao ser.
  • A problemática do início no pensamento revela o paradoxo da orientação historiográfica, na qual a filosofia corre o risco de se tornar apenas uma presentificação erudita do passado quando perde em si mesma a medida e a regra de sua atividade dialética. Se o princípio organizador e orgânico do entendimento é retirado, a filosofia vê-se compelida a buscar na tradição uma norma externa, transformando o legado histórico em uma fonte de autoridade que substitui a cognição imediata e a relação direta com a revelação da natureza.
  • O confronto entre a atualidade do pensamento e a sua relação com o tempo levanta a questão da intemporalidade da filosofia, sugerindo que o pensamento essencial não deve conformar-se à sua época nem se opor a ela como uma mera inversão. O pensamento originário é aquele que decide a essência de uma era antes mesmo que ela possua uma consciência pública de si, evitando simultaneamente o historicismo, que reduz a verdade ao passado, e o atualismo, que a submete às conveniências do presente imediato.
  • A reflexão histórica sobre a metafísica do Idealismo Alemão, longe de ser um mero exercício de historiografia, manifesta-se como uma resposta a uma necessidade que se arrasta por dois milênios, originada na própria constituição da filosofia como metafísica. Esse pensar histórico não se confunde com a explicação acadêmica nem com a construção sistemática, mas busca clarear o destino do pensamento a partir daquilo que o pressiona e o determina no âmbito da história do ser.
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