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§ 3. A fundamentação da metafísica como Crítica da razão pura
- Redução kantiana do problema da possibilidade da ontologia à questão acerca da possibilidade dos juízos sintéticos a priori, estabelecendo a relação entre o fundamento da metafísica e a Crítica da razão pura como investigação das condições de possibilidade do conhecimento ontológico.
- Compreensão do conhecimento ontológico como forma de juízo, na qual o sujeito apreende o ente mediante um “quê-é” que é dado a priori, anterior à experiência, constituindo o modo pelo qual a ontologia oferece os fundamentos da experiência óntica.
- Caracterização dos juízos sintéticos como aqueles que revelam o ser do ente, em contraste com os juízos analíticos, e definição da tarefa da ontologia como determinação da essência dos juízos sintéticos a priori, cuja legitimidade não se encontra na experiência empírica, mas na razão.
- Definição da razão pura como a faculdade que contém os princípios do conhecimento a priori — “razão pura é a faculdade que encerra os princípios do conhecimento a priori” — e exposição de que a análise de sua essência equivale à elucidação da possibilidade do conhecimento ontológico, implicando simultaneamente sua limitação crítica e sua fundamentação metafísica.
- Determinação da síntese a priori como núcleo da crítica, exigindo definição precisa da forma de enlace sujeito-predicado que caracteriza os juízos, e explicação de que todo juízo implica uma síntese, sendo esta, no caso a priori, uma referência prévia ao ente, que constitui o horizonte da experiência.
- Definição do conhecimento transcendental como aquele que “se ocupa não tanto dos objetos, mas do modo de conhecê-los, enquanto este deve ser possível a priori”, de modo que não investiga o ente em si, mas a possibilidade da compreensão prévia do ser, isto é, a constituição ontológica da transcendência da razão em direção ao ente.
- Transformação da ontologia em filosofia transcendental, mediante a elevação do problema de sua possibilidade à questão da essência da transcendência do compreender, com o consequente uso kantiano do termo “filosofia transcendental” em substituição à metaphysica generalis, representando a crítica não como sistema, mas como tratado de método que delineia a estrutura interna da ontologia.
- Rejeição da interpretação da Crítica da razão pura como teoria da experiência ou das ciências positivas, afirmando-se que ela não constitui uma teoria do conhecimento empírico (óntico), mas sim do conhecimento ontológico, elevando pela primeira vez a ontologia à sua esfera própria como fundamento da metafísica.
- Interpretação da revolução copernicana kantiana como deslocamento do centro da metafísica para o problema da verdade ontológica, onde a “verdade transcendental precede toda verdade empírica e a torna possível”, servindo de medida e fundamento à verdade dos conhecimentos particulares.
- Determinação do problema transcendental como investigação da essência da verdade da transcendência ontológica, a partir da qual toda verdade empírica se deriva e adquire sentido, de modo que o exame da síntese a priori revela os germes internos que tornam possível o desenvolvimento da própria ontologia.
- Reconhecimento da originalidade da Crítica da razão pura como fundamentação autônoma da metafísica, elaborada “sem apoiar-se em fato algum, mas desenvolvendo o conhecimento a partir de seus germes originários”, e estabelecimento da tarefa filosófica de demonstrar como a possibilidade da ontologia se desdobra desde seus fundamentos primordiais.
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