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§ 2. O ponto de partida da fundamentação da metafísica tradicional
Fundamentação da metafísica como conhecimento puro e racional do ente em sua totalidade, ultrapassando a experiência sensível para buscar o ente suprassensível e questionando a ausência de uma prova rigorosa para legitimar sua pretensão de conhecimento verdadeiro.
- Necessidade de uma fundamentação que delimite a possibilidade interna da metafísica, orientando-se para a determinação da essência da metaphysica specialis como ciência do ente suprassensível.
- Restrição do problema à questão da possibilidade de manifestação do ente enquanto tal, implicando a compreensão da essência de uma forma de relação em que o ente se manifeste em si mesmo, tornando possível a demonstração de qualquer enunciado sobre ele.
- Identificação de um indício para essa possibilidade no método das ciências naturais, nas quais o conhecimento resulta da razão que produz seus próprios objetos segundo um plano previamente concebido.
- Citação: “Compreenderam que a razão não conhece mais do que o que ela própria produz segundo o seu esboço; que deve adiantar-se com princípios de seus juízos, segundo leis constantes, e obrigar a natureza a responder às suas perguntas, e não deixar-se conduzir como com andadores.”
- A constituição ontológica do ser do ente, pressuposta em todo plano científico, revela que a conduta cognitiva em relação ao ente depende de uma compreensão prévia de sua estrutura ontológica.
- Indicação pelas ciências matemáticas da natureza da conexão entre experiência ôntica e conhecimento ontológico, sem, contudo, oferecer solução definitiva, apenas a direção investigativa da fundamentação metafísica.
- Necessidade de desenvolver a metaphysica specialis em conformidade com o conceito de conhecimento científico positivo.
- Transformação da questão da possibilidade do conhecimento ôntico em indagação sobre a possibilidade do conhecimento ontológico, conduzindo à pergunta pela essência da metaphysica generalis.
- Inserção de Kant na tradição filosófica como aquele que, ao iniciar a fundamentação da metafísica, entra em diálogo crítico com Aristóteles e Platão, problematizando a ontologia pela primeira vez como questão fundamental.
- Abalo do edifício da metafísica tradicional, que até então tratava o ens commune de forma vaga e convicta.
- Exigência de clareza quanto ao modo de generalização e ao caráter do “traspassar” implicado no conhecimento da constituição do ser.
- A ontologia deixa de servir prioritariamente à fundamentação das ciências positivas e passa a fundar-se em um “interesse mais alto” da razão humana.
- Relação entre metaphysica generalis e metaphysica specialis, em que a primeira fornece o arcabouço conceitual à segunda, de modo que a determinação da essência de uma transforma a da outra.
- Fundamentação da metafísica total como revelação da possibilidade interna da ontologia, identificando-se aí o sentido propriamente metafísico da “revolução copernicana” kantiana.
- Interpretação correta da “revolução copernicana” como inversão metodológica:
- Citação: “Até agora se admitia que todo nosso conhecimento devia reger-se pelos objetos; mas todos os ensaios para decidir a priori algo sobre estes, mediante conceitos, aniquilavam-se nessa suposição. Ensaiemos, pois, se não avançaremos mais nos problemas da metafísica, admitindo que os objetos devem reger-se por nosso conhecimento…”
- Esclarecimento de que nem todo conhecimento é ôntico e de que este só é possível mediante conhecimento ontológico prévio.
- Manutenção e fundamentação do antigo conceito de verdade (adaequatio intellectus et rei), uma vez que a “revolução copernicana” não o destrói, mas o torna inteligível pela primazia do conhecimento do ser.
- Conclusão de que a fundamentação da metafísica tradicional parte da questão da possibilidade interna da ontologia, conduzindo inevitavelmente à necessidade de uma Crítica da Razão Pura como exame transcendental das condições do conhecimento metafísico.
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