GA29-30:271-272 – TONALIDADES AFETIVAS DETERMINAM UM AGIR REAL
(…) Nossa vida espiritual é hoje – em face de si mesma e da história – impelida amplamente para o interior deste beco sem saída e não pode nem seguir em frente, nem voltar atrás: ela é impelida para o interior do beco sem saída da opinião equivocada de que algo é concebido e apropriado quando é explicado psicológica e antropologicamente em sua proveniência. Porque assim se podem esclarecer todas as coisas, parece-se assumir aí uma posição objetiva. As pessoas procuram se convencer de que este esclarecimento psicologicamente objetivo e de que esta admissão da vigência de qualquer coisa a partir de sua origem psicológica significa tolerância e liberdade superiores, enquanto eles não são em verdade no fundo senão a tirania mais cômoda e mais aproximativa, junto à qual não se coloca nada em jogo – nem mesmo o próprio ponto de partida, pois se tem também um esclarecimento psicológico para este. Tudo o que (238) dissemos até aqui sobre a tonalidade afetiva, o modo como tentamos despertar uma tonalidade afetiva em específico, pode ser, então, impelido em direção a esta degradação mais visceral de nossa época, sim, como que escorregar até aí espontaneamente. Tudo isto pode escorregar até aí; e, em verdade, porque talvez nos movimentemos com estas discussões no centro do filosofar mesmo, e, com isto, talvez cheguemos na proximidade mais imediata de sua ambiguidade.
Tanto mais precisamos aprender a entender que tonalidades afetivas só são o que são, se elas afinam, isto é, se elas determinam um agir real. (GA29-30PT:237-238)
