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§§1-3

CONSIDERAÇÃO PRELIMINAR

A tarefa da preleção e sua atitude fundamental a partir de um esclarecimento geral de seu título

PRIMEIRO CAPÍTULO

Os desvios para a determinação da essência da filosofia (metafísica) e a inevitabilidade de encarar a metafísica

§1. A incomparabilidade da filosofia

A filosofia e a metafísica não podem ser determinadas segundo modelos exteriores — como ciência, proclamação de visão de mundo, arte, religião ou objeto de informação histórica — porque toda comparação desse gênero pressupõe uma compreensão ainda não conquistada de sua essência, fazendo com que os caminhos aparentemente esclarecedores se revelem desvios que somente circundam a filosofia e reforçam a necessidade de compreendê-la exclusivamente a partir dela mesma como algo autônomo, último e incomparável.

a) A filosofia não é ciência nem proclamação de visão de mundo

  • O título “Os conceitos fundamentais da metafísica” parece inicialmente tão claro quanto os títulos de cursos dedicados aos fundamentos da zoologia, às linhas gerais da linguística ou ao delineamento da história da Reforma.
  • Essa aparência de clareza pressupõe que a metafísica seja uma disciplina consolidada, dotada de um domínio determinado e de conteúdos principais que poderiam ser resumidos durante um semestre mediante a exclusão dos detalhes secundários.
  • A metafísica aparece então como parte central da filosofia, e a filosofia, por sua vez, como ciência universal encarregada de conferir amplitude e unidade à formação especializada proporcionada pelas ciências particulares.
  • A integração institucional da filosofia na universidade parece perfeitamente ordenada enquanto não se questiona se a metafísica constitui realmente um corpo doutrinário estabelecido e se a filosofia pode ser ensinada e aprendida como ciência.
  • O funcionamento regular da universidade pode ocultar uma experiência de aridez e desorientação, na qual organização, tradição, rotina acadêmica e banalidade mantêm exteriormente em atividade um empreendimento cujo fundamento interior já se rompeu.
  • A suspeita de uma falsidade e de um desespero ocultos surge quando o funcionamento institucional substitui a pergunta pelo sentido daquilo que nele deveria propriamente acontecer.
  • A pluralidade de concepções, posições e escolas filosóficas costuma ser interpretada como sinal de imaturidade diante das verdades inequívocas, dos progressos verificáveis e dos resultados pretensamente seguros das ciências.
  • A partir desse julgamento, a filosofia seria uma ciência ainda atrasada, incapaz de alcançar o grau de rigor buscado desde Descartes mediante o projeto moderno de sua elevação à condição de ciência absoluta.
  • A exigência de intensificar o esforço para que a filosofia se torne finalmente ciência pressupõe que sua essência já tenha sido corretamente medida por um ideal exterior e que sua insuficiência seja apenas histórica e provisória.
  • A possibilidade decisiva é que o próprio projeto de converter a filosofia em ciência absoluta constitua um erro fundamental, não porque determinados filósofos ou escolas tenham fracassado em realizá-lo, mas porque sua meta contraria a essência mais íntima da filosofia.
  • A avaliação da filosofia segundo a ideia de ciência pode apresentar-se como sua máxima elevação e, ao mesmo tempo, constituir o rebaixamento mais fatal de sua essência.
  • A exclusão da filosofia do domínio científico parece ameaçar sua legitimidade universitária e conduzi-la à condição de simples proclamação de uma visão de mundo (Weltanschauungsverkündigung).
  • Uma filosofia reduzida a visão de mundo tornar-se-ia a organização sistemática da convicção pessoal de um pensador, reunindo provisoriamente adeptos que logo a abandonariam para construir sistemas próprios.
  • A sucessão concorrente de visões de mundo transformaria a filosofia num mercado de convicções particulares, sem um critério capaz de distinguir sua necessidade essencial da adesão ocasional a uma doutrina.
  • A determinação da filosofia como proclamação de visão de mundo compartilha a mesma falsidade de sua determinação como ciência, porque ambas a submetem a estruturas estranhas àquilo que ela é.
  • A negação conjunta desses dois enquadramentos ainda não fornece uma definição positiva, mas indica que a filosofia não pode ser inserida em categorias disponíveis nem determinada como uma modalidade de outra atividade.
  • A incomparabilidade não significa isolamento arbitrário, mas a exigência de que a filosofia seja compreendida a partir de seu próprio acontecer e não pela transferência de medidas provenientes da ciência ou das visões de mundo.
  • A filosofia mostra-se, assim, como algo autônomo e último, cuja determinação positiva não pode ser deduzida de um gênero mais amplo ao qual ela pertenceria como espécie.

b) A determinação essencial da filosofia não pode ser obtida pelo desvio da comparação com a arte e a religião

  • A incomparabilidade da filosofia não exclui completamente sua aproximação com a arte e a religião, desde que religião não signifique apenas um sistema eclesiástico e que a comparação não pretenda definir uma dessas experiências pela outra.
  • A comparação com a ciência rebaixa injustificadamente a filosofia ao subordiná-la a um modelo inadequado, enquanto a aproximação com arte e religião reconhece uma equivalência legítima entre âmbitos essenciais igualmente originários.
  • A equivalência de dignidade não implica identidade: filosofia, arte e religião podem pertencer a uma mesma altura essencial sem se confundirem quanto à maneira própria de acontecer.
  • A essência da filosofia não pode ser alcançada pelo desvio através da arte e da religião porque qualquer comparação capaz de determinar semelhanças e diferenças pressupõe que a filosofia já tenha sido previamente avistada em sua singularidade.
  • Somente depois de conquistado algum acesso à filosofia torna-se possível distingui-la da arte e da religião sem submetê-la a determinações tomadas desses outros âmbitos.
  • Arte e religião poderão ser encontradas no percurso do filosofar, mas não funcionam como fundamentos exteriores a partir dos quais a essência da filosofia pudesse ser derivada.
  • O fracasso recorrente das determinações comparativas comprime a pergunta “o que é filosofia, o que é metafísica?” e impede que ela escape novamente por caminhos indiretos.
  • A impossibilidade dos desvios não elimina a pergunta, mas intensifica sua urgência ao exigir um acesso direto à própria filosofia.

c) A saída pela orientação histórica como ilusão na determinação essencial da filosofia

  • A história parece oferecer a última saída porque a filosofia possui uma tradição extensa, na qual seria possível investigar a origem da palavra “metafísica”, sua significação inicial, sua definição como disciplina e a coisa designada por essa definição.
  • O percurso histórico pode distinguir três níveis: a proveniência e a primeira significação da palavra, a definição disciplinar da metafísica e a realidade filosófica pretendida por essa definição.
  • A clareza documental e a utilidade pedagógica desse caminho produzem a impressão de que o conhecimento histórico fornece imediatamente aquilo que se procura compreender.
  • Os testemunhos históricos permanecem mudos quanto à essência da metafísica quando não se dispõe previamente de algum saber acerca daquilo que permite reconhecer uma afirmação como metafísica.
  • A história da filosofia oferece opiniões, definições e interpretações sobre a metafísica, mas não garante o encontro com a própria metafísica.
  • O conhecimento histórico pode tornar-se o desvio mais enganoso porque transforma a posse de informações sobre a filosofia na aparência de já se compreender aquilo que ela essencialmente é.
  • A orientação histórica conduz, portanto, a um impasse sempre que pretende substituir a realização efetiva do filosofar por um inventário de doutrinas passadas.

§2. A determinação da filosofia a partir dela mesma, segundo o fio condutor de uma palavra de Novalis

A metafísica somente pode ser determinada a partir de sua realização como filosofar, mas esse acontecer se retrai para a obscuridade da essência humana e revela-se, segundo a palavra de Novalis, como nostalgia (Heimweh), impulso de estar em casa por toda parte e, portanto, como uma disposição afetiva fundamental que impele a existência às perguntas interligadas pelo mundo, pela finitude e pela singularização, exigindo conceitos nascidos de um ser-afetado existencial e não de uma técnica científica de representação.

a) O retrair-se da metafísica — do filosofar — como atividade humana na obscuridade da essência do ser humano

  • O fracasso dos caminhos indiretos não oferece uma definição da metafísica, mas revela que se procura continuamente escapar dela, afastando-se de sua presença e substituindo o encontro direto por comparações e informações exteriores.
  • A impossibilidade dos desvios deixa como única possibilidade encarar a metafísica e manter o olhar dirigido para ela, sem permitir que volte a desaparecer sob enquadramentos familiares.
  • O retrair-se da metafísica não significa que ela simplesmente se ausente, mas que atrai o questionamento para uma direção cuja exigência peculiar provoca recuo e evasão.
  • A dificuldade pode não residir numa incapacidade absoluta de seguir a metafísica, mas no temor diante do esforço necessário para apreendê-la diretamente.
  • A conclusão negativa estabelece que a filosofia não pode ser determinada como outra coisa diferente dela mesma e exige que sua essência seja conquistada em seu próprio acontecer.
  • A proposição “filosofia é filosofar” não constitui uma repetição vazia, pois desloca a investigação de uma definição objetiva para a realização na qual a filosofia efetivamente é.
  • A metafísica não existe primeiramente como objeto ou disciplina disponível e somente depois como atividade exercida por alguém; ela é no acontecer do filosofar.
  • Se o filosofar é uma atividade humana, seu possível retrair-se parece paradoxal, pois aquilo que se retrai acontece precisamente naquele que procura apreendê-lo.
  • O paradoxo desfaz-se quando se reconhece que a essência do ser humano não é transparentemente possuída por ele mesmo e permanece tão problemática quanto o filosofar que nela acontece.
  • As determinações do ser humano como coroa da criação, desvio, equívoco fundamental ou abismo mostram que sua essência não constitui um fundamento seguro e previamente esclarecido.
  • A filosofia retrai-se para a obscuridade da essência humana porque acontece no fundo dessa essência e participa de seu caráter enigmático.
  • O filosofar não é uma ocupação arbitrária para preencher o tempo nem uma acumulação de conhecimentos extraíveis de livros.
  • A metafísica envolve a totalidade e o extremo, tornando-se uma derradeira expressão e um diálogo decisivo do ser humano acerca de sua própria existência.
  • A participação numa preleção filosófica somente adquire sentido quando se interroga a disposição com que nela se ingressa, distinguindo-se uma decisão existencial de uma presença motivada por hábito, imitação ou conveniência de horário.
  • A pergunta pela metafísica transforma-se, assim, na pergunta pela essência do ser humano em cujo fundo o filosofar acontece.

b) A nostalgia como disposição afetiva fundamental do filosofar e as perguntas pelo mundo, pela finitude e pela singularização

  • A definição de Novalis — “a filosofia é propriamente nostalgia, um impulso de estar em casa por toda parte” — não deve ser descartada como formulação apenas poética ou romântica, pois pode indicar a disposição originária da qual nasce o filosofar.
  • A suposta abolição moderna da nostalgia pelo ser humano urbano e pelo funcionamento civilizacional não demonstra o desaparecimento dessa disposição, mas pode revelar seu encobrimento.
  • A autoridade filosófica de uma palavra poética não depende de seu enquadramento científico, porque a poesia pertence à arte, irmã da filosofia, enquanto a ciência talvez mantenha diante da filosofia apenas uma relação de serviço.
  • A afirmação aristotélica de que os poetas inventam muitas falsidades não basta para invalidar uma palavra poética capaz de atingir a essência do filosofar.
  • O impulso de estar em casa por toda parte pressupõe que aquele que filosofa não se encontra plenamente em casa em lugar algum.
  • “Por toda parte” não significa a soma sucessiva de todos os lugares particulares, mas a permanência simultânea no todo.
  • A totalidade na qual se procura estar em casa recebe o nome de mundo (Welt).
  • Existir significa já estar solicitado por algo enquanto totalidade, mesmo quando essa solicitação permanece encoberta ou indeterminada.
  • A nostalgia conduz, portanto, à pergunta “o que é mundo?”, porque seu impulso se dirige ao ser no todo e não a um domínio particular dos entes.
  • O ser humano não se limita a avançar livremente em direção ao todo, pois também é retido por um peso que o reconduz e impede a plena chegada.
  • A existência realiza-se como esse estar-a-caminho, como passagem e oscilação entre chegar e não chegar, pertencer e não pertencer, estar em casa e permanecer deslocado.
  • A inquietação do “não”, expressa na oscilação entre o “nem um nem outro” e o “sim e não”, recebe o nome de finitude (Endlichkeit).
  • A finitude não é uma propriedade ocasional acrescentada ao ser humano, mas o modo fundamental de seu ser.
  • Tornar-se aquilo que se é não exige superar ou negar a finitude, mas preservá-la contra as formas de encobrimento que procuram convertê-la numa deficiência eliminável.
  • A preservação da finitude constitui a realização mais íntima do ser-finito, denominada finitização (Verendlichung).
  • A finitude somente existe efetivamente em sua finitização, isto é, no processo pelo qual o ser humano assume e realiza sua condição finita.
  • Na finitização acontece uma singularização (Vereinzelung) do ser humano em seu ser-aí (Dasein).
  • A singularização não significa endurecimento do indivíduo em torno de um eu pequeno, pretensioso e fechado, que toma por mundo algum interesse particular.
  • Singularizar-se significa ingressar numa solidão originária na qual cada ser humano alcança pela primeira vez a proximidade do essencial de todas as coisas e do mundo.
  • A solidão metafísica não representa isolamento social, mas a situação em que cada existência se encontra como única diante da totalidade.
  • Mundo, finitude e singularização não constituem três temas independentes, pois designam dimensões articuladas de um único acontecimento no fundamento da existência.
  • A pergunta pela essência humana radicaliza-se quando as determinações habituais — animal, produto da civilização, guardião da cultura ou personalidade — aparecem como sombras de algo mais originário denominado ser-aí.
  • A filosofia como nostalgia é um desejo que desperta as perguntas pelo mundo, pela finitude e pela singularização e as reúne numa interrogação dirigida ao todo.
  • Conhecer verbalmente essas perguntas não equivale a filosofar; torna-se decisivo efetivamente perguntá-las e sustentar sua força através da existência inteira.
  • A nostalgia não é uma inclinação vaga ou oscilante, mas o impulso que procura caminhos capazes de conferir direção adequada às perguntas metafísicas.
  • A abertura desses caminhos exige o martelo da compreensão e conceitos capazes de romper a via pela qual a interrogação alcança o todo.
  • Os conceitos metafísicos diferem dos conceitos científicos porque não são instrumentos neutros, conteúdos aprendidos ou fórmulas que um professor poderia exigir que fossem repetidas e aplicadas.
  • O conceito metafísico somente pode ser compreendido por quem já foi afetado e tomado por aquilo que ele deve apreender.
  • O ser-afetado (Ergriffenheit) não resulta do conceito pronto; precede a compreensão conceitual e confere à pergunta sua força existencial.
  • Todo ser-afetado provém de uma disposição afetiva (Stimmung) e permanece sustentado por ela.
  • Como o filosofar acontece no fundamento do ser-aí, a disposição da qual nasce o ser-afetado filosófico deve possuir o caráter de disposição afetiva fundamental (Grundstimmung).
  • A disposição afetiva fundamental atravessa contínua e essencialmente o ser humano, embora não precise ser reconhecida tematicamente por ele.
  • O filosofar acontece sempre a partir de uma disposição afetiva fundamental: a compreensão filosófica funda-se no ser-afetado, e este se funda na tonalidade que dispõe a existência.
  • A nostalgia nomeada por Novalis pode ser compreendida como disposição afetiva fundamental do filosofar, desde que sua palavra seja libertada de uma interpretação sentimental ou meramente romântica.
  • A investigação não alcança uma definição formal da metafísica, mas descobre o movimento pelo qual ela se retrai para o fundo obscuro da essência humana.
  • A pergunta “o que é metafísica?” transforma-se em “o que é o ser humano?”, porque o filosofar somente pode ser alcançado no acontecimento essencial daquele que filosofa.
  • A ausência de uma resposta torna a essência humana ainda mais enigmática, permitindo interrogá-la como passagem, direção, tempestade sobre o planeta, retorno ou excesso para os deuses.
  • A impossibilidade de uma determinação definitiva não elimina a descoberta decisiva de que a filosofia acontece no interior dessa essência enigmática.

§3. O pensamento metafísico como pensamento abrangente (inbegriffliches Denken): dirigido ao todo e atravessando a existência

O pensamento metafísico distingue-se de todo conhecimento regional porque interroga o ente em sua totalidade de tal maneira que o próprio interrogador é incluído e posto em questão, razão pela qual seus conceitos fundamentais não são representações universais de propriedades comuns, mas conceitos abrangentes (Inbegriffe) que apreendem simultaneamente o todo e atravessam a existência daquele que filosofa.

  • A consideração preliminar deve esclarecer simultaneamente a tarefa da preleção e a atitude fundamental exigida por essa tarefa.
  • O título aparentemente inequívoco “Os conceitos fundamentais da metafísica” torna-se problemático assim que se pergunta o que é a própria metafísica e como se deve relacionar com ela.
  • A determinação da filosofia como ciência ou proclamação de visão de mundo, sua comparação com arte e religião e sua reconstrução histórica revelam-se desvios que circulam ao redor da questão sem alcançar seu centro.
  • Os desvios não são apenas percursos mais longos, mas caminhos de floresta (Holzwege) que cessam subitamente ou terminam em impasses.
  • O fracasso desses caminhos revela a impossibilidade de evitar a apreensão direta da filosofia e da metafísica.
  • Permanecer junto ao que se pergunta constitui a dificuldade decisiva, porque a tendência habitual consiste em substituir a própria questão por comparações, informações e classificações exteriores.
  • A metafísica retrai-se quando interrogada seriamente porque seu lugar próprio é a obscuridade do fundamento da essência do ser-aí humano.
  • A palavra de Novalis reconduz a filosofia à nostalgia e permite interpretar o impulso de estar em casa por toda parte como existência dirigida ao todo dos entes.
  • A pergunta pelo mundo nasce do desejo de estar no todo, enquanto a finitude se manifesta na oscilação inquieta entre aproximação e retração diante dessa totalidade.
  • A finitização conduz à solidão originária na qual cada ser humano se singulariza e permanece como único diante do todo.
  • O questionamento conceitual somente pode acontecer sobre o fundamento de um ser-afetado, e todo ser-afetado radica numa disposição afetiva fundamental.
  • O título da preleção já não pode ser compreendido por analogia com disciplinas como zoologia ou linguística, porque a metafísica não é um campo de conhecimentos delimitado nem uma região de objetos investigada mediante técnicas conceituais.
  • A metafísica é um acontecimento fundamental no ser-aí humano e não uma disciplina simplesmente disponível para transmissão acadêmica.
  • A lógica tradicional entende o conceito como representação de algo universal, mediante a qual diferentes entes particulares são determinados segundo propriedades comuns.
  • Os conceitos fundamentais da metafísica não podem possuir a estrutura de uma representação universal indiferente, porque permanecem enraizados no ser-afetado por aquilo que procuram apreender.
  • A relação metafísica com aquilo que se concebe difere originariamente da conduta científica, pois não conserva o interrogador numa posição neutra diante de um objeto.
  • A metafísica interroga o todo dos entes de maneira que aquele que pergunta ingressa na própria pergunta e é questionado juntamente com o que interroga.
  • O conceito metafísico é abrangente (Inbegriff) num primeiro sentido porque apreende o todo em si e não apenas propriedades gerais de um domínio regional como o animal ou a linguagem.
  • O conceito metafísico é abrangente num segundo sentido porque inclui necessariamente o ser humano que compreende e sua existência, não como complemento posterior, mas como dimensão constitutiva do próprio conceito.
  • A totalidade interrogada não pode ser conceitualmente apreendida sem a inclusão da existência filosofante, assim como esta não pode ser compreendida metafisicamente sem sua relação com o todo.
  • O pensamento metafísico é pensamento abrangente nesse duplo sentido: dirige-se ao ente em sua totalidade e atravessa integralmente a existência daquele que pergunta.
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