GA22: § 49
a) O ser e o “em vista de quê” da compreensão
ousia e agathon. Como se passa dos princípios e das determinações fundamentais do ser, das ideias como estruturas do ser, para a ideia do agathon, do lógico para o ético, do ser para o dever? ousia e agathon.
O ser, ou seja, o ser-ente (das Seiende-Sein), é o que é compreendido pura e simplesmente em vista de si mesmo e o que só assim pode ser compreendido. O “em vista de si mesmo”, isto é, o fim de toda compreensão. Se digo “em vista de si mesmo”, ainda formulo uma afirmação sobre ele: fim, peras, agathon. Em sentido ingênuamente onético: algo mais elevado do que o próprio ser, algo que está ainda mais além. Mas, considerado mais atentamente, não se trata de uma proposição sobre o ser, mas de uma proposição que se afasta dele, que não o apreende precisamente em si mesmo, mas de maneira oblíqua, em relação à sua compreensão, o que ele é para ela e não em si mesmo. Até mesmo o “ser” como princípio é uma caracterização derivada.
Trata-se do ser do Dasein, da própria alma. Trata-se de seu ser; o “em vista de quê” (Worumwillen) desse ente é precisamente “para ser”. O ente a cujo ser pertence a compreensão do ser. Compreensão do ser: o poder-ser a quem cabe o ser. Em termos gregos: aquilo de que se trata, o “em vista de quê”, ele próprio como ente, o bem. O ser é o telos, o “fim”, o agathon. Chega-se ao agathon porque o ser é compreendido como um ente, uma propriedade onética: o bem. No que diz respeito à alma, o agathon é dito mais do que seu sentido admite. Recolocar a proposição ontológica dentro de seus limites.
Conhecer, ver, é agir, estar fora de si referindo-se a algo (Aussein auf).
agathon, peras; todo ver já está, antes de tudo, referido à luz. Nela se realiza a compreensão do ser. O ser por meio da ideia, o “visto”; o ser por meio do agathon, o “em vista do que”, o “fim”. A ideia do bem é o ser e o ente propriamente dito.
b) Ser e valor
Ser significa, em primeiro lugar, presença. Mas, além disso, o ser é o “em vista de quê”, o para quê, agathon, opheleia, “utilidade”. Ele próprio está separado e, como tal, de certa forma equiparado à ousia. A contribucionalidade (Beiträglichkeit) em si não é compreendida de forma autológica, mas coordenada com o ser, pois o próprio ser é reduzido à pura permanência (Bestand), à presença cósmica (Dinganwesenheit). Além disso, devido a uma concepção insuficiente do ser, a coisa tem “ainda” um para-que (umzu), um valor.
Mas como as coisas se dão no âmbito moral? Também ali, com ainda mais razão. Trata-se de! (es geht um!). Existência! Poder-ser!
