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Sujeito do Objeto

BENOIST, Jocelyn. Kant et les limites de la synthèse: le sujet sensible. Paris: Presses universitaires de France, 1996.

  • As categorias, estruturas da objetividade, constituem o texto positivo da filosofia crítica, mas, como conceitos fundamentais que permitem atribuir pela pensamento objetos em geral aos fenômenos, articulam o rapport ao objeto como conhecimento, e não o ser, o que coloca a questão do conteúdo dessa ontologia transcendental e do que se rapporta ao objeto.
  • Em Kant, a questão do sujeito é indissociável do problema do objeto, não apenas pela solidariedade filológica dos conceitos, mas porque não há filosofia do sujeito em si mesmo, e o sujeito só pode aparecer na distância do objeto, cabendo perguntar se ele é apenas a sombra do rapport ao objeto.
  • O sujeito transcendental, simétrico do objeto transcendental, é uma inovação que remete em jogo a noção de sujeito, pois seu lugar de elaboração é a crítica das metafísicas da subjetividade, e ele é transcendental na medida em que Kant é anti-idealista, recusando a evidência de um primeiro dado.
  • O sujeito transcendental é literalmente o sujeito do objeto, pois é o sujeito da transcendência que é a do objeto, e sua transcendentalidade aparece em eco e de modo limitativo à do objeto, sendo ele o sujeito das categorias, que responde ao objeto transcendental.
  • O sujeito transcendental aparece na Dialética transcendental como uma máquina de guerra contra as metafísicas da subjetividade, e a crítica vai incidir sobre o conhecimento do objeto transcendental como correlato, levantando o problema da fonte do rapport ao objeto e o risco de uma retomada não crítica.
  • O Je pense, que é o sujeito transcendental, é um conceito que não foi mencionado na lista dos conceitos transcendentais, mas deve ser a ela anexado sem modificá-la, o que significa que ele já está compreendido nas categorias em sua essência, mas não acrescenta nenhum conhecimento sobre o objeto.
  • O Je pense acompanha as categorias como as únicas conhecimentos pela razão pura, e, por isso, não há conhecimento pela razão pura do Je pense, não porque ele permaneça desconhecido, mas porque não faz sentido fazer dele um objeto de conhecimento, já que ele está no ato do conhecimento.
  • O Eu puro do Je pense é transversal à distinção entre numênico e fenomênico, pois diz respeito ao rapport ao objeto em geral, aquém dessa distinção, e o sujeito como tal constitui a aparência transcendental em que se fundam os paralogismos da razão pura.
  • O sujeito transcendental, na perspectiva da lógica transcendental, é o sujeito das determinações do rapport ao objeto, e a ideia de que há um sujeito da pensamento é um pressuposto lógico-gramatical, mas que, ao ser mantido no nível do transcendental, exclui toda metafísica do sujeito.
  • O modelo do sujeito transcendental é o rapport sujeito/predicado, e o paralogismo transcendental ocorre quando a razão, pela sua pura forma, sugere um objeto onde há apenas a forma da razão, que é o Je pense, cujo sujeito é o sujeito transcendental das pensamentos = X.
  • O sujeito transcendental não é um conceito, pois, diferentemente do sujeito lógico comum, ele não tem portada ontológica, sendo apenas uma função lógica da predicação como forma geral da pensamento, e sua dedução repousa na simples transcrição da função lógica do sujeito na ordem transcendental.
  • A identidade da pensamento, que é o que se expressa no Je pense, é a condição de possibilidade da pensamento, pois pensar é unificar representações em uma consciência, e todo pensado deve poder ser rapportado, em uma predicação universal, à pensamento mesma como identidade.
  • O sujeito transcendental é o sujeito do Logos como tal, sendo a condicionalidade da própria lógica, e, como sujeito lógico universal, ele só tem sentido no horizonte da conhecimento, sendo a função logica do sujeito entendida no horizonte do objeto.
  • O sujeito transcendental, ao ser anexado às categorias sem lhes acrescentar nada, revela a categorialidade das categorias mesmas, ou seja, a significação de prover à significação de um objeto, e ele é o veículo de todos os conceitos em geral.
  • O Je pense não é um conceito, mas um juízo, pois a proposição je pense exprime a essência do juízo em geral como pura e simples qualificação do objeto, e o eu não é um conceito porque não é um objeto.
  • O sujeito transcendental, ao não ser um conceito nem uma intuição, é apenas o nome da transcendência mesma, sendo uma função, e sua evidência é empírica, enraizada na facticidade do rapport ao objeto, e ele é um sentimento de uma existência, sem conceito, uma representação daquilo a que toda pensamento se rapporta.
  • O sujeito transcendental é o sujeito das categorias, ou seja, o sujeito do objeto, um sujeito sob medida para o objeto e um puro artefato lógico do objeto, de modo que, ao seguir Kant no terreno da constituição categorial da transcendência, perde-se o sujeito.
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