obra:ga22:ga22-13a14
GA22: §§13-14
Segundo Capítulo: A questão da causa e do fundamento como questão filosófica
§ 13. A conexão não esclarecida entre a questão das causas e a questão do ser: formulações do problema
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O problema fundamental envolve cinco dimensões da pergunta pelas quatro causas do ente: determinar quais são essas causas, identificar o que no próprio ente corresponde a cada uma delas, determinar o ente em todas as suas perspectivas fundamentais, determinar o ser do ente em geral e esclarecer em quantos sentidos ele é dito.
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As quatro significações fundamentais do ser em Aristóteles são: o ente segundo as categorias, o ente segundo o acidente, o ente como verdadeiro e o ente segundo potência e ato; nem essas quatro significações nem as quatro causas foram determinadas por Aristóteles em sua conexão interna e em sua proveniência a partir da ideia do ser.
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As quatro significações do ser não correspondem às quatro causas, e é necessário afirmar em princípio que não há sistema no sentido de uma construção unitária; a ideia de sistema pertence ao idealismo moderno e pressupõe uma determinada concepção de apresentação dos fatos, ao passo que em Aristóteles e em Platão tudo permanece aberto, em caminho, em tentativas, ainda imerso nas dificuldades.
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A questão de fundo que permanece em aberto é por que precisamente quatro causas, de qual ente foram extraídas, como esse ente foi concebido em seu ser, qual a conexão interna entre ser de causa e fundamento em geral, por que se pergunta por fundamentos e por que as ciências têm especialmente causa e fundamento como tema.
§ 14. O problema do fundamento na filosofia moderna
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Na filosofia moderna, Leibniz formula o princípio da razão suficiente: nenhum estado de coisas e nenhum acontecimento podem ter sentido sem um fundamento suficiente, ainda que na maioria das vezes esse fundamento nos permaneça oculto.
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O primeiro princípio leibniziano do conhecimento racional é o da contradição, pelo qual tudo o que encerra uma contradição é julgado falso, e verdadeiro tudo o que é contraditoriamente oposto ao falso.
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O segundo princípio é o do fundamento suficiente, pelo qual nenhum fato pode ser verdadeiro ou existente, nenhuma afirmação correta, sem que haja uma razão suficiente para que seja assim e não de outro modo, ainda que esses fundamentos nos sejam desconhecidos na maioria dos casos.
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Wolff formula o mesmo princípio como: nada existe sem fundamento pelo qual seja antes do que não seja; a partir daí distingue quatro modalidades do princípio: fundamento suficiente do vir a ser, do conhecer, do ser e do agir.
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O princípio do fundamento suficiente é apresentado como princípio evidente de toda pesquisa, mas a questão decisiva permanece: como deve ser compreendido, por que é necessário e se ele brota do próprio ser daquilo sobre que enuncia, isto é, da ideia do ser e do não-ser; a resposta depende de compreender o próprio ser.
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As aulas precedentes traçaram o esboço da problemática diante da qual se encontra o filósofo antigo, centrada na descoberta do ser no ente, tendo Aristóteles e as quatro causas como fio condutor, com um olhar retrospectivo sobre a filosofia pré-aristotélica; a partir daqui, a questão de Aristóteles recua ao fundo e a atenção se volta para as perguntas e respostas dos próprios pensadores antigos.
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