obra:ga49:ga49-1-schelling-pico-idealismo
§1 O Tratado de Schelling como o auge da metafísica do idealismo alemão
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A proposta inicial consiste em tratar da metafísica do idealismo alemão, tomando como via interpretativa o tratado sobre a liberdade de Schelling.
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A escolha de um texto isolado de um único pensador é metodologicamente legítima, caso se limite o estudo a esse texto e se reconheça a restrição de sua esfera de pensamento dentro do idealismo alemão.
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Todavia, o procedimento torna-se problemático quando se pretende, por meio dessa via singular, pensar a metafísica do idealismo alemão como um todo.
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Apesar do caráter restrito do método, o propósito de compreender a metafísica do idealismo alemão em sua totalidade orientará a investigação.
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O enfoque unilateral exige, por conseguinte, uma justificação específica, a qual só pode ser obtida mediante o conhecimento do que é pensado no tratado isolado de Schelling.
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Tal justificação pressupõe que o tratado de Schelling represente o ponto culminante da metafísica do idealismo alemão, algo que apenas pode ser verificado ao final de uma interpretação completa ou após múltiplas interpretações.
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A legitimidade do caminho adotado depende de três condições fundamentais:
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Que o tratado de Schelling constitua o ápice da metafísica do idealismo alemão.
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Que nele se manifestem todas as determinações essenciais dessa metafísica.
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Que, a partir dele, seja possível expor com plena determinação o núcleo essencial de toda a metafísica ocidental.
Mesmo assim, o procedimento conserva um caráter violento, sobretudo no início, pois contraria a opinião comum de que somente a “completude historiográfica” garante o conhecimento autêntico da história.Tal opinião, contudo, pode ser apenas uma suposição infundada, mal fundamentada ou mesmo impossível de fundamentar quanto à essência própria da história.Para converter essa suposição em certeza e justificar o método, seria necessário demonstrar de que modo a historicidade da história do pensamento possui uma essência singular.Essa historicidade, embora possa assemelhar-se a uma reflexão historiográfica, tem em verdade um caráter próprio, distinto tanto da mera descrição histórica quanto da reflexão sistemática a ela usualmente contraposta.Desde o início, o empreendimento permanece envolto em diversas incertezas e tende a dispersar-se em tentativas de resolver preliminarmente todas as dúvidas, o que retardaria indefinidamente o trabalho interpretativo propriamente dito.Para evitar esse risco, a via mais adequada é começar diretamente pela elucidação do tratado de Schelling, ainda que de modo cego, confiando que dessa interpretação inicial emergirá algum esclarecimento essencial. -
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