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GA1 Problema da Realidade
Becoming Heidegger. On the Trail of His Early Occasional Writings, 1910-1927. Edited by Theodore Kisiel and Thomas Sheehan, Evanston, Illinois, Northwestern University Press, 2007.
Das Realitätsproblem in der modernen Philosophie (1912)
O Problema da Realidade na Filosofia Moderna
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A filosofia grega, medieval e moderna, em suas diversas correntes, convergiu para o realismo ao admitir algo trans-subjetivo, até que Berkeley, com a identificação entre ser e ser-percebido, rompeu essa tradição ao abolir a existência de um mundo material independente da consciência.
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Kant restringiu seu método transcendental às ciências formais, deixando o problema da realidade sem lugar em sua epistemologia; o idealismo posterior a ele, culminando em Hegel, afastou-se ainda mais da realidade, e o colapso do hegelianismo empurrou a filosofia de volta a Kant e ao espírito do empirismo humiano.
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As tendências epistemológicas dominantes — o consciencialismo e o fenomenalismo — buscam mostrar que positar ou definir um mundo externo independente da consciência é inadmissível, enquanto as ciências naturais continuaram operando, sem perturbação, com um realismo saudável que lhes rendeu resultados notáveis.
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O problema se articula em quatro questões precisas: se é admissível positar o real, como isso é possível, se é admissível defini-lo e como tal definição pode ser realizada.
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O consciencialismo, em suas versões — filosofia da imanência de Schuppe, empiriocriticismo de Avenarius e monismo sensorial de Mach — identifica todo ser com ser-consciente, tornando impensável qualquer realidade independente da consciência.
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O argumento a priori do consciencialismo, que vê contradição no conceito de um ser independente do pensamento, confunde a existência psíquica do ato de pensar com o conteúdo ideal do conceito: pensar um objeto não o transforma em ato psíquico.
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O argumento empírico, que afirma que só os fatos de consciência são dados e que todo conhecimento é construído imanentemente, falha ao confundir leis lógicas — que são princípios ideais, objetivos e universalmente válidos — com eventos causais subjetivos.
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O argumento metodológico, que exige como fundamento apenas o que é imediato e indubitável na consciência, equivoca-se ao atribuir papel justificatório à mera existência de fatos psíquicos: fatos simplesmente são ou não são, e só o conhecimento pode ser certo.
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O fenomenalismo, diferentemente do consciencialismo, admite que se pode positar o real, mas proíbe sua definição, restando apenas uma incógnita X como substrato das sensações; seu representante clássico é Kant.
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A afirmação kantiana de que as formas puras da intuição e do entendimento têm função modificadora em sentido subjetivo permanece uma suposição dogmática sem justificação possível; o próprio Kant contradiz sua tese ao fazer dos conceitos puros objetos de pensamento.
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O pensamento não está necessariamente vinculado às categorias: tanto o caos sensorial quanto conceitos, juízos e conclusões lógicas são pensados sem intuição, o que refuta o sensualism empirista de Kant e abre caminho para a definição das realidades positas.
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O positar de realidades transcendentes à consciência é exigido, acima de tudo, pelo fato de que um mesmo objeto é imediatamente comunicável a diferentes indivíduos, condição fundamental para qualquer ciência de validade universal.
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As relações lei-like observadas nas percepções — coexistência, sucessão e lacunas que independem da vontade do sujeito — devem ser positas como relações reais e objetivas, ainda que os relata sofram modificações subjetivas pelas leis da energia específica dos sentidos.
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A definição das realidades positas é regulada pelo conteúdo das relações observadas, devendo apresentar os relata como capazes de produzir ocorrências reais; trata-se de um ideal regulativo que a ciência se aproxima progressivamente sem jamais esgotar.
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O princípio da subjetividade das qualidades sensoriais não elimina as realidades, mas impõe a ruptura com o dogma sensacionista de que todo conhecimento permanece ligado ao intuível — ruptura que as ciências reais já praticam sem preconceito.
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Consciencialismo e fenomenalismo conduzem as ciências naturais a um beco sem saída, pois só quem acredita na definibilidade de uma natureza real investe energias em realizá-la no conhecimento; o mérito do realismo crítico de Külpe está em ter devolvido à epistemologia sua tarefa propriamente ontológica.
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