Definição conceitual de Seinkönnen como capacidade de habitar determinado âmbito de possibilidades, envolvendo compreensão, habilidades e inclinação afetiva para persegui-las.
Enquadramento do conceito no período de Ser e Tempo e suas lições circunvizinhas, como parte da reapropriação criativa da ontologia aristotélica, particularmente do conceito grego de dynamis.
Deslocamento ontológico fundamental: prioridade heideggeriana do possível sobre o atual, invertendo relação aristotélica.
Possibilidade não compreendida em sentido lógico-formal, mas como modo de ser específico do Dasein, cujo ser é sempre uma questão para ele mesmo.
Caracterização do Dasein como existência, não como coisa simplesmente presente ou disponível, cujo ser é essencialmente drama de sua própria realização.
Autoindividualização do Dasein através de seu poder-ser: cada existente é singularmente si mesmo, e em cada um o mundo renasce como esfera do possível.
Expressão “próprio” ou “mais próprio” (eigen, eigenste) como quase redundante, pois poder-ser é sempre de algum modo apropriado, mesmo quando inautêntico.
Relação do Dasein com seu ser mediante compreensão (Verstehen), termo que transcende conotação puramente cognitiva.
Revelação das possibilidades através da tonalidade afetiva (Stimmung), não por reflexão teórica.
Resposta à pergunta “como vai?” como abertura ou ocultamento de mundo e das possibilidades nela contidas.
Inseparabilidade entre poder-ser e distinção entre autenticidade (Eigentlichkeit) e inautenticidade (Uneigentlichkeit).
Autenticidade como ser na potencialidade de ser mais própria, não como categoria moral, mas como modificação ontológica da existência inautêntica.
Compreensão inautêntica como modo de ser constitutivo: Dasein compreende a si mesmo inicialmente a partir do modo como todos os outros o fazem.
Articulação essencial do poder-ser próprio com os fenômenos da angústia (Angst) e da morte.
Angústia como temor não diante deste ou daquele ente, mas diante do possível como tal e da totalidade da existência como origem de todas as possibilidades.
Experiência do nada e do ser-nulo (Nichtigkeit) do Dasein como base para confrontação com a morte.
Morte como possibilidade insuperável e mais própria, impossibilidade de toda possibilidade, que individualiza radicalmente o Dasein.
Ser-para-a-morte (Sein-zum-Tode) como condição para escolha autêntica do poder-ser próprio, em contraposição à vida anônima do “se” impessoal.
Resposta à acusação de solipsismo: distinção entre plano ontológico e plano moral ou ôntico.
Individuação ontológica do Dasein como pressuposto para qualquer decisão moral, inclusive aquela de colocar os outros à frente de si.
Exemplo dos dois modos de ser-com-os-outros: liberação do outro para suas próprias possibilidades versus dominação e controle.
Fundamento ontológico da alteridade: escolha autêntica do próprio poder-ser não exclui, mas possibilita relação ética genuína.