A “ginástica” (gymnasía), como desdobramento da hipótese (hypóthesis), não é um treino para outra coisa, mas o próprio filosofar, onde a hipótese é executada e se revela como transcendência (Transzendenz), e a pergunta fundamental que a conduz é “o que é o ente?” (tí tò ón), cujo suporte e sustentação (Austragen und Aushalten) da questão do ser é o verdadeiro dizer “sim” (Ja-Sagen) ao ente enquanto tal.
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A pergunta “o que é o ente?” exige uma resposta provisória (vorläufige), que é ao mesmo tempo preliminar, não definitiva e que retorna à questão, porque se trata do ente enquanto tal, e a necessidade de um primeiro avanço (Vorlauf) para o uno (hén) conduz à unidade do ente no todo, à unicidade do ente enquanto tal e à mesmidade do ente enquanto tal no todo como caráter fundamental de seu ser.
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A pergunta exige ultrapassar o ente (hinaus) e, ao mesmo tempo, retornar a ele, sendo o “ultrapassamento” a necessidade do projeto (Entwurf), que é um projeto que abrange e recolhe (ausholenden und in sich einholenden), e o projeto (das Entworfene) é o “para onde” (Woraufhin) do projeto, em distinção ao que é posto no projeto.
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A resposta provisória “tò ón hén estin” (“o ente é um”) deve ser formulada como: “se o ente é um, o que é então o ser?”, e a pergunta é sobre o uno (hén) quando se pergunta pelo ser, não sobre o ente singular, mas sobre o ente enquanto tal, sustentando o avanço (Vorlauf) como resposta para o ente enquanto tal.
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O “exaíphnēs” (exaíphnēs) é a própria essência do uno (hén) e, com isso, de todo o todo (Ganze), e se o ser é, em si, relacional (verhältnishaft) e nulo (nichtig), então ele é, em si, múltiplo (pollá), e a diferença — enquanto separação (chorismós) — entre o uno (ideia) e os entes múltiplos não subsiste, mas sim a diferença entre o múltiplo e o múltiplo.
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O ente não pode nem deve jamais ser colocado, enquanto ente, diante do ser, pois ele já é uno (hén) enquanto múltiplo (pollá), e o problema da diferença ontológica (ontologischen Differenz) deve ser determinado de novo, perguntando-se qual o papel da ideia (eídos) e qual a dimensão para essa diferença, que se anuncia na transformação (metabolḗ) e no “exaíphnēs”.
Se o “um” (hén) do ente não é “isto” e “aquilo”, então o não-ser (Nichtsein) pertence ao seu ser; se o ente, em seu ser, não é e é nulo, então ele é justamente “isto” e “aquilo”, e se o ente, em seu ser, é e não é, então ele é de modo alternante (umschlagig), e, sendo assim, ele é também, por essência, não, ou seja, ele “é” também a aparência (Schein), de modo que ao ser pertencem a verdade (Wahrheit) e a não-verdade (Unwahrheit).
O “exaíphnēs” (exaíphnēs, 156) não é uma mera contribuição lúdica de
Platão para o problema do tempo, mas deve ser compreendido a partir do contexto do problema fundamental, e a “ginástica” (gymnasía) não é um mero treino de regras lógicas, mas o avanço para o problema do ser, onde a hipótese (hypóthesis) é a “suposição” ôntica que, ao ser desdobrada, revela a movimentação (Bewegtheit) da própria ideia (eídos) em sua comunidade (koinōnía) e em sua potência de comunidade (dýnamis koinōnías).
As nove estações (neun Stadien) da hipótese (hypóthesis) têm sua “dobradiça” (Angel) no terceiro estágio, onde o problema já indicado por
Sócrates — a “identidade” de unidade e multiplicidade — vem para o centro, e a questão do “um” (hén) é a questão do ser, pois a pergunta “o que é o ente?” (tí tò ón) exige sustentar o ente enquanto tal, isto é, enquanto uno (hén).
A “ginástica” (gymnasía) é o filosofar que, ao exercitar a pergunta pelo ser, visa ganhar a postura correta e desenvolver a visão interna, em contraposição ao falar vulgar e apressado, e a hipótese (hypóthesis) deve ser tomada em sua amplitude, sendo desdobrada como “ginástica” (gymnasía) para que o caráter de ideia (eídos) se torne novamente manifesto em sua movimentação e comunidade (koinōnía).
A unidade do diálogo é tão forte que não se deve perguntar como as duas partes se conectam, e a interpretação que as separa é um equívoco; a “hipótese” (hypóthesis) em geral e a “suposição” ôntica estão em conexão interna com o problema fundamental da filosofia, que é a pergunta “o que é o ente?” (tí tò ón).
Hegel vê no “
Parmênides” de
Platão o documento e sistema do verdadeiro ceticismo, que destrói todo o conhecimento por conceitos do entendimento, e afirma que o primeiro passo da filosofia é conhecer o nada absoluto, e o diálogo conduz ao nada porque é a obra grandiosa que é, na medida em que a pergunta pelo ser, ao se desdobrar, revela a nulidade e a aparência como pertencentes ao próprio ser.
A noção de “ter” (échein) é pensada como “ter consigo” (An-haben), “trazer” (tragen), “ter junto de si” (bei-sich), de modo que o que é tido está presente em si mesmo, e a posse (héxis) é compreendida como o comportamento (Verhalten) em relação a algo, e a “comunidade” (koinōnía) ilumina o problema da “geração” (génesis), mostrando como a “habitação” (Habe) é a verdade da filosofia.
A “potência de comunidade” (dýnamis koinōnías) e o “poder-de-dizer-em-conjunto” (légesthai symphōneîn) apontam para os exercícios (Übungen) de sintonização (Stimmens) e de poder soar em conjunto (Zusammenstimmen können), onde a disposição (Gestimmtheit) é fundamental para o filosofar.