O noein no sentido do Hinnehmen poderia ser facilmente distorcido em mera 'passividade' no sentido de deixar-se-passar-por-cima; ao contrário, o vocábulo grego noos, noun, noein significa o que chamamos 'farejar', 'farejamento' (Wittern, Witterung): o estender-se para fora e para adiante, o rastrear e pré-sentir antecipadamente, portanto a relação com algo ainda distante.
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Os homens modernos, habituados ao 'sucesso', veem no eficiente palpável o real e o ente, e mal pressentem que e como no Er-spürten (no farejado) pode abrir-se o ser próprio.
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O noein é uma relação originária: a prontidão que rastreia seu próprio âmbito e assim já o abre para o que sai de si mesmo e é o próprio Hervorkommen (emergência) e nada além disso.
O Hervorkommen aus dem Verborgenen (emergência do velado) emerge para o Unverborgene (não-velado), mais precisamente para a Unverborgenheit (aletheia).
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Essa Unverborgenheit não está disponível de antemão como um espaço receptor para a emergência; ao contrário, o próprio Hervor-kommen, enquanto vige (Ereignis), traz consigo a Unverborgenheit como o Sein.
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A aletheia pertence ao einai, a Unverborgenheit pertence ao Hervorkommen, isto é, ao Sein — e é por isso que o Ser como emergência traz consigo também a Verborgenheit (o velamento), pois somente na Unverborgenheit o velado torna-se manifesto como tal.
A Unverborgenheit pertence não apenas ao Sein (einai), mas também, ainda que de outra maneira, ao noein.
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O Vernehmen (perceber), como Er-spüren e Vor-weg-nehmen, estende-se para aquilo de onde lhe deve vir algo; o próprio Vernehmen penetra na Unverborgenheit, que contudo lhe é atribuída somente através do e como o próprio Sein.
O Sein traz consigo também o Vernehmen e os conduz para dentro da Unverborgenheit; ambos têm em relação a ela, como ao Mesmo, uma 'relação': Sein (einai) e Vernehmen (noein) pertencem juntos na Unverborgenheit.
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Esse Zusammengehören (pertencer conjunto) diz: eles são, nessa relação com a mesma Unverborgenheit, o Mesmo — “O Mesmo, pois, é tanto perceber quanto ser.”
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O conteúdo mais íntimo e mais velado desse dito contém o aceno para esse 'o Mesmo'; por isso ele está na ênfase mais simples no início: “to gar auto” — “o Mesmo, pois” — é…
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O dito não quer dizer algo sobre o noein nem sobre o einai em relação ao noein, mas isto: que eles são o Mesmo — e esse Mesmo é o propriamente dito.
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O dito nomeia algo que é, em certo sentido, mais inicial do que Sein e Vernehmen — a aletheia; mas ela pertence novamente ao Sein e a ele somente e originariamente.
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O dito é um dito sobre o Seyn mesmo e sua essência; ele não quer dizer que Sein e Vernehmen ('pensar') sejam a mesma coisa indiferente (Einerlei), pois assim o Mesmo desapareceria como indiferente, distribuído pelos dois.
O to auto — 'o Mesmo', a Unverborgenheit — não é interrogado em sua essência nem reconduzido ao seu fundamento essencial próprio, pois
Parmênides apenas nomeia esse 'o Mesmo' sem desdobrá-lo.
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Esse to auto, a aletheia, era para os gregos o Wesen des Seins (essência do ser) claramente configurado; e por isso foi experienciado também como aquilo que tinha de permanecer o âmbito inquestionável para todo perguntar.
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Com o tempo, o noein e o einai se afastaram um do outro, tornando-se o que se opõe — duas 'partes', finalmente 'sujeito' e 'objeto'; mas o confronto teve de ser reconhecido ainda como relação, a saber, como relação entre o pensar e o 'ser'.
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Essa relação foi então explicada ora a partir de um, ora a partir do outro dos dois 'lados'; foi tomada como o 'resultado' de um encontro causalmente atuante dos dois lados, ou, no melhor dos casos, como algo simplesmente dado com sujeito e objeto simultaneamente.
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Na proposição “a relação entre sujeito e objeto é dada simultaneamente com sujeito e objeto” acreditou-se ter atingido o ponto culminante de toda visão superior — mas essa sabedoria não é prejudicada se tomada por uma ausência de pensamento, pois com sujeito e objeto está dada certamente essa relação, já numa determinada configuração; como, porém, são dados sujeito e objeto eles mesmos? Age-se como se tivessem caído do céu.
Nem a Idade Média e menos ainda a Antiguidade conheciam algo como sujeito e objeto — a pergunta que se impõe é não histórica, mas geschichtliche (histórica no sentido do acontecer): o que 'aconteceu' e 'acontece' para que a aletheia, a Wahrheit (verdade), se transforme na relação sujeito-objeto?
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O que se ereignet (ocorre como Ereignis) para que o Sein mesmo permita essa Wandlung (transformação)?
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Essa transformação encerra o Verhängnis (destino funesto) de que aquela relação originária ao Sein, para nós e para os que nos precederam, não foi destruída, mas lançada numa estranha Vergessenheit (esquecimento) — “De um brilho antigo ainda o reflexo tardio, perdido e irreconhecível.”