Determinação do ponto de vista e do princípio da filosofia hegeliana.
Ponto de vista: o idealismo absoluto, compreendido como a incondicionalidade do ego-cogito certum, expressão do conceito de ab-soluto.
Princípio: a substancialidade é a subjetividade; o ser compreendido como devir do saber absoluto.
Caracterização da negatividade hegeliana como diferença da consciência.
Esclarecimento da negatividade na forma do ser outro: algo e o outro; o outro enquanto o outro do outro.
A negatividade não pode ser deduzida a partir do conceito hegeliano de nada, embora pareça ser a encarnação da não-idade (Nichtheit).
O conceito hegeliano de ser resulta da redução (Ab-bau) da realidade absoluta.
O ser é o extremo oposto da realidade absoluta — sua alienação extrema.
Contudo, a realidade absoluta é vontade.
A realidade absoluta, como ser em sentido amplo, apresenta-se como negativa em face da fundamentação sistemática da diferença entre ser e ente.
Essa negação, já consumação do abandono, provém do esquecimento da diferença.
O esquecimento nasce do hábito que banaliza a diferença.
A redução necessária emerge dessa negação, enraizada na essência do absoluto e da própria metafísica.
A negação essencial é o pressuposto necessário para a possível absoluta liberdade do pensar incondicionado.
A partir desse ponto, infere-se a resolução (Auflösung) da negatividade na positividade do absoluto.
A negatividade é a energia do pensar incondicionado, pois contém em si todo o elemento negativo desde o início.
Perguntar pela origem da negatividade é destituído de sentido, já que a negatividade é o inquestionável, essência da subjetividade.
A negatividade, como negação da negação, funda o sim da autoconsciência incondicionada — a certeza absoluta como verdade, ou seja, a entidade do ente.
A inquestionabilidade da negatividade decorre da inquestionabilidade do próprio pensar.
O pensar realiza-se como representação do ente e como projeção do horizonte de interpretação do ser — perceptibilidade, presença e pensabilidade.
A evidência do pensar constitui a distinção essencial do homem enquanto animal racional.
A inquestionabilidade da negatividade conduz à pergunta pela relação do homem com o ser, e não apenas com o ente.
O ser deve ser interrogado não a partir do ente nem em direção a ele como entidade, mas no retorno a si mesmo, à sua verdade.
O claro do ser se indica por uma meditação sobre a ainda inconcebida unidade do pensar: representar algo como algo à luz do ser.
O claro é o abismo — a nada, não como nulidade, mas como força gravitacional autêntica, o próprio ser (Seyn).
O ser é distinto do ente.
Torna-se questionável caracterizar a relação entre ser e ente como mera diferença.
A superação dessa questão requer compreender o ser como projeto, sendo o projetar o próprio ser-aí.
A negatividade, para o pensar metafísico, é absorvida na positividade.
A nada é o abissal em relação ao ser (Seyn), e, enquanto tal, sua própria essência.
O ser (Seyn) manifesta-se em sua singularidade, como finitude; contudo, essa caracterização é facilmente mal interpretada.
Pensar a nada significa interrogar a verdade do ser (Seyn) e experimentar a carência do ente em sua totalidade.
Pensar a nada não é nihilismo.
A essência do nihilismo consiste em esquecer a nada, desviando-se na maquinação do ente.
O domínio da maquinação do ente evidencia-se no fato de que a metafísica, fundamento dessa maquinação, rebaixa o ser a mera nulidade.