Fenomenologia do Espírito – 5-8

5. A concepção da autopresentação do saber que aparece como um percurso que a consciência natural trilharia em direção ao espírito absoluto, ao modo de um Itinerarium mentis in Deum, embora seja a forma pela qual todas as interpretações anteriores da Fenomenologia do Espírito a conceberam, revela-se filosoficamente inverídica, pois o curso em questão não é aquele que jaz diante da consciência natural como caminhante, mas o próprio curso que o absoluto percorre em direção à verdade de sua aparição completa.

6. O primeiro passo no curso do absoluto que se traz à aparição exige um outro, ao qual se aplica o mesmo, e assim sucessivamente, enquanto não se absolve a totalidade das figuras essenciais da consciência, de modo que o curso do saber que aparece constitui, de passo a passo, antes um “caminho do desespero”, no qual os estágios anteriores devem ser abandonados e, ao mesmo tempo, preservados, para que a absolvição não seja perda, mas a forma única de alcance do absoluto.

7. A questão da opinião cotidiana acerca da origem do princípio da completude das figuras e da meta que rege a sucessão dos passos da progressão só pode ser respondida mediante a colocação correta da própria pergunta, uma vez que a meta desse curso não se encontra fora dele nem em seu término, mas constitui o próprio começo do qual o curso parte e a partir do qual dá cada um de seus passos.

8. No parágrafo 8, que caracteriza a meta do curso da consciência, afirma-se que a consciência é, para si mesma, seu próprio conceito, sendo sua essência a autoconsciência, a qual só é aquilo que é, para si, na medida em que se sabe como autoconsciência na completude de sua essência — esse saber de si mesmo que se sabe é, segundo Hegel, “o conceito”.