2.2

A apropriação da situação de compreensão

A apropriação da situação de compreensão (Verstehenssituation) constitui a primeira tarefa do filosofar porque a filosofia não pode ser alcançada mediante conhecimento exterior de doutrinas, resultados, sistemas, perspectivas ou objetos culturais, mas somente pela conquista concreta da situação na qual o comportamento filosófico pode efetivamente realizar-se; essa apropriação exige uma direção de interesse motivada, uma concepção prévia (Vorgriff) correspondente ao caráter principial e formal-indicativo da definição filosófica e uma disposição para compreender a filosofia a partir da experiência fundamental (Grunderfahrung) em que ela própria pode tornar-se acontecimento da existência, de modo que a pergunta pelo filosofar conduz progressivamente da linguagem recebida ao comportamento (Verhalten), deste ao sentido de relação (Bezugssinn), ao sentido de realização (Vollzugssinn) e ao sentido de temporalização (Zeitigungssinn), culminando na definição formal-indicativa da filosofia como comportamento cognoscente principial em relação ao ente enquanto ser e, finalmente, na necessidade de interpretar a situação concreta de acesso — aqui designada pela universidade — como nexo histórico da vida fática cujo sentido de ser não pode ser determinado nem por instituições objetivamente existentes nem pela autoridade exterior da tradição.

A. Concepção prévia a partir de um uso linguístico

a) Filosofia é filosofar

Observação sobre o único uso possível, nestas considerações, da expressão “filosofia científica”

b) Platão sobre o filosofar

B. O comportamento

a) O filosofar segundo seu sentido de relação é comportamento cognoscente

b) A definição principial da filosofia

C. A situação de acesso: a universidade

a) Primeira objeção: a filosofia é filosofia universitária?

b) Segunda objeção: a situação contingente da universidade pode ser normativa para a filosofia?

c) A tradição

Recapitulação