§6

§ 6. A última saga dos gregos acerca da essência contrária recôndita da aletheia, a Lethe (I): o mito conclusivo da Politéia de Platão. O mito da essência da polis. Elucidação da essência do daimonion. A essência dos deuses gregos à luz da aletheia. O “olhar” do extra-ordinário

a) A polis como o polo da presença determinada dos entes a partir da aletheia. Referência a Sófocles. A reverberação da essência conflitante da aletheia na essência contrária à polis: apolis. Referência a Burckhardt

A última saga grega acerca da Lethe, essência contrária recôndita da aletheia, encontra sua consumação no mythos conclusivo da Politéia de Platão, no qual a relação entre desencobrimento e encobrimento se articula com a essência da polis, compreendida não como cidade, Estado ou organização política, mas como o polo e a localidade histórica em que os entes se deixam mostrar em seu ser e na qual a humanidade grega recebe sua determinação essencial, razão pela qual a essência conflitante da aletheia também faz vigorar no interior da polis as possibilidades extremas do encobrimento, da errância, da desmedida e do tornar-se apolis.

b) Preparação para o atalho no comentário acerca do diálogo de Platão sobre Lethe e polis. A harmonia: Dike. O curso mortal da estadia na polis e a presença dos entes depois da morte. Platonismo cristão. Referência a Hegel

Recapitulação

1) Politéia: o topos da essência da polis. O caráter essencialmente não político da Politéia da polis. O polo de pelein. A impossibilidade de interpretar a polis a partir do “Estado”, Dike a partir de iustitia. Morte: transição do “aqui” para o “lá”. Platonismo

c) A questão do “aqui” e do “lá”. Politéia X, 614 b 2, e o questionamento dessa referência ao mito

d) Psyche: o fundamento de uma relação com os entes. O conhecimento do pensador acerca dos daimonia. Referência a Aristóteles e Hegel. Daimonion: a presença do extra-ordinário no ordinário. Os daimones, aqueles que acenam e mostram para dentro do ordinário

e) O vislumbre que oferece a visão do ser. O ver a partir de dentro, como vislumbre do ser, eidos. O deus grego, daimon, que no ver se apresenta no desencobrimento. O que vê para dentro do ordinário: o extra-ordinário. O aparecer do extra-ordinário no ver do homem

Recapitulação

2) O não demoníaco dos daimones. A emergência desvelante do ser: o autoiluminar-se. O ver, perceber, como modo primordial da emergência na luz. A posição intermediária do animal: Nietzsche, Spengler. O homem: o vislumbrado. Thea e thea: a mesma palavra. Referência a Heráclito, fragmento 48. Insuficiente elucidação das divindades gregas. A visão como o decisivo para o aparecimento do extra-ordinário no seio do ordinário. O extra-ordinário mostrando-se no interior do ordinário e sua relação, fundada no ser, com as divindades

f) A diferença entre os deuses gregos e o Deus cristão. A palavra como lugar do nomear do ser em seu iluminar a partir de dentro e o mythos como modo da relação com o ser que aparece. O homem: aquele que profere o divino. “Declínio” das culturas: Nietzsche, Spengler. O traço fundamental do esquecimento do ser: o ateísmo

g) O divino como aquilo que se dá a partir do interior no descoberto. O daimonion: o ver em sua silenciosa recepção da pertença ao ser. O domínio do descobrimento da palavra. A “correspondência” do divino e do mítico, to theion e ho mythos. O trazer-para-a-obra, arte, do desencobrimento e seu médium na palavra e no mythos. Eudaimonia e daimonios topos