A legitimidade do caminho adotado depende de três condições fundamentais:
-
Que o tratado de Schelling constitua o ápice da metafísica do idealismo alemão.
-
Que nele se manifestem todas as determinações essenciais dessa metafísica.
-
Que, a partir dele, seja possível expor com plena determinação o núcleo essencial de toda a metafísica ocidental.
Mesmo assim, o procedimento conserva um caráter violento, sobretudo no início, pois contraria a opinião comum de que somente a “completude historiográfica” garante o conhecimento autêntico da história.
Tal opinião, contudo, pode ser apenas uma suposição infundada, mal fundamentada ou mesmo impossível de fundamentar quanto à essência própria da história.
Para converter essa suposição em certeza e justificar o método, seria necessário demonstrar de que modo a historicidade da história do pensamento possui uma essência singular.
Essa historicidade, embora possa assemelhar-se a uma reflexão historiográfica, tem em verdade um caráter próprio, distinto tanto da mera descrição histórica quanto da reflexão sistemática a ela usualmente contraposta.
Desde o início, o empreendimento permanece envolto em diversas incertezas e tende a dispersar-se em tentativas de resolver preliminarmente todas as dúvidas, o que retardaria indefinidamente o trabalho interpretativo propriamente dito.
Para evitar esse risco, a via mais adequada é começar diretamente pela elucidação do tratado de Schelling, ainda que de modo cego, confiando que dessa interpretação inicial emergirá algum esclarecimento essencial.