1.1 FILOSOFIA

PRIMEIRA PARTE: DETERMINAÇÃO POSITIVA DA FILOSOFIA A PARTIR DO CONTEÚDO DA QUESTÃO DA LIBERDADE. O PROBLEMA DA LIBERDADE HUMANA E A QUESTÃO FUNDAMENTAL DA FILOSOFIA

PRIMEIRO CAPÍTULO: PRIMEIRO IRROMPER DO PROBLEMA DA LIBERDADE NA DIMENSÃO PRÓPRIA EM KANT. A CONEXÃO DO PROBLEMA DA LIBERDADE COM OS PROBLEMAS FUNDAMENTAIS DA METAFÍSICA

2. FILOSOFIA COMO INTERROGAR NO TODO. O IR AO TODO COMO O IR À RAIZ

O empreendimento de conduzir ao todo da filosofia através do problema particular da liberdade humana mostra-se justificado, pois a filosofia, diferentemente das ciências, visa desde o início o todo, ainda que sob uma perspectiva determinada. No entanto, a caracterização do filosofar como interrogar no todo permanece insuficiente enquanto o “ir ao todo” não for compreendido como um “ir à raiz”, o que exige uma compreensão positiva da filosofia a partir de si mesma e do conteúdo do problema escolhido.

3. CONSIDERAÇÃO FORMAL-INDICATIVA DA LIBERDADE POSITIVA COM RECURSO À LIBERDADE “TRANSCENDENTAL” E “PRÁTICA” EM KANT

A liberdade positiva, em contraste com a negativa (liberdade de…), é caracterizada como liberdade para…, como autodeterminação e autolegislação, conceito que Kant desenvolve em sua doutrina da autonomia da vontade. A posição de Kant no problema da liberdade é destacada por ter articulado, pela primeira vez, a questão da liberdade com os problemas fundamentais da metafísica, distinguindo a liberdade transcendental (como espontaneidade absoluta) da liberdade prática (como autonomia da vontade).

4. A AMPLIAÇÃO DO PROBLEMA DA LIBERDADE, INDICADA NO CARÁTER DE FUNDAMENTAÇÃO DA LIBERDADE TRANSCENDENTAL, NA PERSPECTIVA DO PROBLEMA COSMOLÓGICO: LIBERDADE – CAUSALIDADE – MOVIMENTO – ENTE ENQUANTO TAL

A análise da liberdade positiva, especialmente em sua fundamentação na liberdade transcendental, revela uma ampliação radical do problema, pois a espontaneidade absoluta remete ao problema da causalidade, que, por sua vez, conduz à questão do movimento e, finalmente, à pergunta pelo ente enquanto tal. Essa ampliação, no entanto, não implica imediatamente o caráter de “ir à raiz” do filosofar, pois a pergunta pelo ente enquanto tal, na tradição, apresenta-se como uma investigação abstrata e geral, distante do questionador concreto.

5. O DUVIDOSO CARÁTER DE ATAQUE DA QUESTÃO AMPLIADA DA LIBERDADE E A FIGURA TRANSMITIDA DA QUESTÃO-GUIA DA FILOSOFIA. NECESSIDADE DE UM RENOVADO QUESTIONAR DA QUESTÃO-GUIA

A questão-guia da filosofia, “o que é o ente enquanto tal?”, na qual o problema da liberdade se insere, não apresenta, nem em seu conteúdo nem em sua história, um caráter de “ir à raiz” que atinja o questionador, mas se mostra como uma investigação abstrata, geral e teórica, distante da existência concreta. Diante dessa ausência de um caráter de ataque na questão-guia tradicional, e da insistência natural de que a filosofia deve ter relação com a vida, impõe-se a necessidade de não aceitar passivamente a questão transmitida, mas de colocá-la novamente de modo mais originário.