Grundbegriffe der aristotelischen Philosophie (Summer semester 1924), ed. M. Michalski, 2002, XIV, 418p.
A Determinação do Conceito através da Doutrina da Definição na Lógica de Kant
1. A “lógica” responde à pergunta pelo que se entende por conceito, não havendo “lógica” no sentido em que dela simplesmente se fala como “lógica”, sendo antes um rebento da escolástica helenística, que adaptou de modo escolástico a pesquisa filosófica do passado, não tendo Platão nem Aristóteles conhecido a “lógica”.
2. Nessa lógica fala-se da definição como o meio pelo qual o conceito recebe sua determinação, podendo-se ver, portanto, na consideração da definição, o que propriamente se entende por conceito e conceitualidade (Begrifflichkeit), atendo-nos à Lógica kantiana para ver o que se diz sobre a definição no contexto de uma pesquisa efetiva, a única desde Aristóteles, sendo Kant o único que faz a lógica tornar-se viva, lógica essa que opera depois, em sua forma inteiramente tradicional, na dialética hegeliana, a qual, de modo completamente não criativo, apenas adapta em determinados aspectos os materiais lógicos tradicionais.
3. Ao consultar a caracterização kantiana da definição, chama a atenção o fato de que a definição é tratada no capítulo intitulado “Doutrina Geral do Método”, constituindo a definição uma questão metodológica, destinada a conferir precisão ao conhecimento, sendo tratada como o meio para transmitir a “precisão dos conceitos quanto a seu conteúdo”.
4. Toda intuição é, segundo Kant, uma representatio singularis, sendo o conceito também uma representatio, um “autoapresentar-se”, mas, nesse caso, uma representatio per notas communes, distinguindo-se o conceito da intuição pelo fato de que, como apresentação, apresenta algo que tem o caráter da generalidade, sendo uma “representação geral”.
5. Para melhor compreender isso, Kant diz claramente, na introdução à Lógica, que em todo conhecimento a matéria deve ser distinguida da forma, “o modo como conhecemos o objeto”.
6. A conceitualidade (Begrifflichkeit) e o sentido do conceito dependem de como se compreende, em geral, a pergunta a respeito do que algo é e de onde essa pergunta se origina, sendo que o conceito fornece o que o objeto, a res, é na explicitude da definição, razão pela qual a definição genuína é a chamada “definição real”, que determina assim o que a res é em si mesma.
7. Para a posição de Kant são característicos dois aspectos: primeiro, que a definitio é discutida na doutrina do método; segundo, que ele determina o procedimento básico da definitio de tal modo que este não entra em jogo para a definição genuína.
8. Impõe-se perguntar retrospectivamente como de fato ocorre que a definitio determine o ente em seu ser, e como ocorre que uma definitio, que é conhecimento genuíno da coisa, se torne assunto de perfeição lógica, residindo nessa posição de Kant acerca da definitio o destino da pesquisa aristotélica.
9. Pergunta-se, então, retrospectivamente: definitio é horismós, horismós é um logos, uma “autoexpressão” sobre o ser-aí enquanto ser, não sendo o horismós um modo de apreensão mediante determinação aguda, mas surgindo antes o caráter específico do horismós, em última instância, do fato de que o próprio ente é determinado em seu ser como circunscrito pelo peras, significando ser o mesmo que ser-completado.