GA17:38-40 – ILUSÃO

** e) O falar e o mundo em suas possibilidades de engano. O deslocamento do significado de φαινόμενον para a ilusão **

1. Esse logos que traz em si mesmo a possibilidade fundamental do engano explica o fato de que todo perceber está em perigo de se equivocar na medida em que é dominado pela linguagem, isto é, os phainomena, enquanto existentes no mundo factual, são aquilo diante de que o homem, na maior parte das vezes, se encontra equivocado.

2. Na medida em que o falar existe como vocalizar, ele é capaz de enganar, sendo, de fato, tomado como existente em um mundo que, em seu caráter específico de ser, apresenta possibilidades de engano, o falar capaz de enganar no sentido de que, na existência do mundo como um todo, há uma conexão interna que constitui a possibilidade de ser do engano.

3. Esse falar, com suas possibilidades de engano, situa-se, como tal, em um mundo que apresenta possibilidades de engano próprias, sendo o mundo capaz de enganar, em primeiro lugar, em virtude de seu caráter circunstancial e do fato de os objetos com que lidamos estarem presentes para nós concretamente em um dado contexto, de modo que se apresenta um conjunto de modos possíveis de discuti-los.

4. Para o falar, subsiste ainda o perigo de que ele esteja aí junto com outro falar, tornando-se uma forma de repetir mecanicamente (Nachsprechen), um modo de falar-junto (Mitsprechen), um domínio peculiar que a linguagem exerce na medida em que suprime a lida com as próprias matérias.