A autorreflexão interiorizante, no terceiro passo, revela a lei originária da reflexão, a “reflexibilidade”, que implica, junto com a possibilitação do compreender, uma possibilitação do ser referida a si mesma, que se revela como suporte da realidade
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A “possibilitação do compreender” abre um campo do puro possibilitar, mostrando que toda relação de condicionamento transcendental implica sua própria duplicação possibilitadora, a lei transcendental da reflexão
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Nessa possibilitação, o movimento duplo de autodestruição e criação é refletido de maneira interiorizante, dando ao fenômeno originário sua “densidade” pré-fenomenal e o validando fenomenologicamente
A “possibilitação do ser” surge da lei transcendental da reflexão, pois o possibilitar só pode cumprir sua função transcendental se a possibilitação do conhecimento for também uma possibilitação do ser
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O possibilitar produz um excedente ontológico que fornece o fundamento cognitivo e ôntico para a realidade, e a reflexibilidade é, em relação ao conhecimento, transcendental, e, em relação ao ser, transcendente, permitindo compreender o ser como “reflexão da reflexão”
O fenômeno originário da formação de sentido exige um princípio de elucidação que se valide fenomenologicamente em uma reflexão progressivamente interiorizante
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Esse princípio se apresenta inicialmente como uma imagem conceitual, e a autorreflexão dessa imagem a compreende como mera imagem, exigindo sua aniquilação, restando a plasticidade de projetar e aniquilar
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A última autorreflexão, que incide sobre o próprio refletir interior, compreende esse refletir como refletir, fazendo emergir a possibilitação e a lei transcendental da reflexão, onde o “conceber energético” faz irromper o ser como base ontológica
A fenomenalidade como fenomenalidade não é uma manifestação de algo pré-fenomenal, mas expressa um “estar-em-instância pendente”, superando o dualismo de “dentro” e “fora”
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O conceito fenomenológico de realidade, que supera a “precariedade da realidade”, funda-se em um campo de pesquisa anônimo, a formação de sentido, que se caracteriza pela gênese, imaginação e iconicidade, e que faz aparecer o fenômeno originário
A realidade é o que liga o ser, sem tocá-lo, ao estar-em-instância pendente, podendo ser compreendida como “ser-em-instância-pendência”, “onto-eis-ek-stasis” ou “serendoexogeneidade”
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Isso insere no conceito de realidade, para além de sua acepção epistêmica, a “marca” da relação bilateral com a imanência e a transcendência, onde o real não é um ser-em-si puro nem um mero ser-para-mim, mas um ser-fora instancialmente descoberto e geneticado