A correlatividade fenomenológica, ou intencionalidade, não é uma referencialidade estática, mas um “tomar em antecipação” que abre horizonte, no qual cada dada de “algo” está inscrita em um quadro de compreensibilidade, que pode ser inconsciente, e que opõe ao ser-em-si uma perspectiva que o mostra como aberto para o ser-consciente
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O que é tomado em antecipação é a aparição e a ordenação de sentido, onde o sentido é sempre “sentido de” algo aparecente, e o objeto não é compreendido em sua “materialidade”, mas como sentido, que não é uma camada separada, mas a própria aparição de sentido do objeto
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Essa referencialidade recíproca pressupõe uma (auto)reflexividade peculiar, que não deve ser compreendida como um retorno reflexivo do sujeito, mas como uma “indução transcendental” que introduz na processualidade autorreflexiva da formação de sentido
A “indução transcendental” designa a introdução na processualidade autorreflexiva da formação de sentido, permitindo ultrapassar o limiar do procedimento descritivo, de modo que não é mais o fenomenólogo que realiza a análise, mas a estrutura reflexiva de limite da fenomenalidade que se reflete “a si mesma”
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Três níveis da indução transcendental devem ser distinguidos: no primeiro, realiza-se a transição para a autorreflexividade; no segundo, ocorre a autorreflexão do que se tornou acessível; no terceiro, a autorreflexão interiorizante do que resultou do segundo nível
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Uma primeira (auto)reflexão incide sobre a estrutura da consciência, o projeto de sentido e o conceito de compreensibilização do conhecimento, e nela se rompe uma tripla dualidade: sujeito e objeto, sentido projetado e sentido que se dá, e arquétipo e imagem do princípio da compreensibilização
Uma segunda (auto)reflexão reflete sobre cada uma dessas dualidades, resultando no autoconhecimento, na verdade hermenêutica e na plasticidade como aniquilamento projetante ou projeto aniquilador
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A autorreflexão da dualidade sujeito-objeto produz o autoconhecimento; a da dualidade do sentido projetado e do que se dá produz a verdade hermenêutica; a reflexão da dualidade arquétipo-imagem produz a plasticidade, um procedimento reflexivo que gera a fonte icônica do conhecimento pela aniquilação da imagem projetada
Uma terceira (auto)reflexão, interiorizante, abre o registro último-originário da matriz generativa da formação de sentido, constituindo a “esfera corática” da indução transcendental, a generatividade e a reflexibilidade transcendental e transcendente
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A autorreflexão interiorizante do autoconhecimento abre a esfera “pré-fenomenal” ou “pré-imanente” da constituição fenomenológica, onde se torna acessível o campo ur-transcendental da formação de sentido
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A autorreflexão interiorizante da verdade hermenêutica revela a “generatividade” ou “verdade generativa”, um construir no aberto da esfera pré-fenomenal que só revela sua validade e legalidade na própria construção
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A autorreflexão interiorizante da plasticidade revela a lei da reflexão como “possibilitação”, uma duplicação que determina originariamente o transcendental e torna transparente o tornar-possível, expressando, junto com a possibilitação do compreender, uma possibilitação do ser referida a si mesma
A matriz transcendental do correlacionismo não se limita a formas postuladas de conhecimento, mas expressa o “princípio fundamental” reflexível da possibilitação do compreender, revelando ao mesmo tempo o fundamento ontológico de toda aparição de sentido
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O ser é a reflexão da reflexão, não como um retrocesso intelectual, mas como uma reflexão “reflexível” que faz surgir a legalidade da reflexão e o próprio ser, que é o “fundamento” de toda realidade, o “suporte da realidade” geneticamente construído e reflexivelmente geneticado
A provocação de
Meillassoux culmina na elaboração da “reflexibilidade” como “princípio” do idealismo especulativo fenomenológico, que pensa um “Absoluto”: o ser, com a restrição de que o ser não é a realidade objetiva
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No idealismo especulativo fenomenológico, o conceito de ser que vale é determinado por três características fundamentais: o “ser precedente” ou “pré-ser”, que designa a dimensão de abertura pré-imanente que permite inscrever os aspectos transcendentais do ser que vão além do ser “objetivo”
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O “excedente ontológico” da reflexibilidade transcendente, que torna compreensível a equiparação de “ser” e “reflexão da reflexão” e constitui o “suporte da realidade” para evitar que a performance transcendental permaneça abstrato-formal
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A “fundação do ser” na “relação de condicionamento recíproco” entre o constituinte e o constituído, que inscreve toda constituição no “fazer sentido e fundamento” e permite que as determinações ontológicas concretas sejam compreendidas
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O “Absoluto” do idealismo especulativo fenomenológico é, portanto, o “ser” como “excedência precedente e fundante”