A psicose transcendental e a origem da mitologia

Marc Richir, “O que é um deus?”, em SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Philosophie de la mythologie. Tradução: Alain Pernet. Grenoble: J. Millon, 1994.

Schelling caracteriza as relações entre a humanidade e o Um relativo como sendo, em si mesmas, “inconcebíveis” (unvordenklich) (184; 224). Este termo é, na realidade, intraduzível, exceto que, em relação ao tempo, significa “imemorial”. Corresponde, portanto, para o tempo, ao passado transcendental, passado do que nunca esteve presente. De maneira mais geral, caracteriza o que surge independentemente de qualquer “representação” (que constituiria, à sua maneira, o que seria pré-pensável, vor-denklich), portanto, o que não pode ser visado previamente em uma intenção, o que ocorre inesperadamente, na surpresa de todo pensamento. O impensável é, nesse sentido, o que não se espera e o que não se esperava, e pertence ao que H. Maldiney denomina transpassibilidade. Esse é um elemento muito importante que comentaremos em detalhes.

Marc Richir, “O que é um Deus?”, em SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Philosophie de la mythologie. Tradução: Alain Pernet. Grenoble: J. Millon, 1994.''