A situação antropológica da mitologia hoje

Marc Richir, “O que é um deus?”, em SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Philosophie de la mythologie. Tradução: Alain Pernet. Grenoble: J. Millon, 1994.

Como atestam numerosos textos filosóficos (até Schelling e Cassirer) e antropológicos, durante muito tempo confundiu-se mitologia e mito. Desde os trabalhos de Cl. Lévi-Strauss (em particular os Mitológicos) e de P. Clastres no domínio ameríndio, isso já não é possível hoje em dia. A mitologia, ou seja, muito especificamente os relatos mitológicos da fundação da ordem cósmica e sociopolítica, encontra-se, por assim dizer, em primeira aproximação, enquadrada por dois outros tipos de formações simbólicas do ser e do pensamento humanos: o pensamento mítico, por um lado, coextensivo a esses tipos de sociedades que P. Clastres muito bem denominou “sociedades contra o Estado”, e o pensamento monoteísta, por outro lado, seja o monoteísmo judaico de instituição antiga, seja o monoteísmo filosófico, de instituição mais recente, e por motivos totalmente diferentes, entre os gregos.