O relato da fundação de Tebas começa com Inaco, deus-rio e primeiro rei dos Pelasgos, unido à ninfa Mélia, de cuja união nascem Foroneu e Io, sendo Foroneu o “herói civilizador” que fundou o país de Argos propriamente dito, reunindo os homens em uma cidade e instituindo o sacrifício, os lugares de culto e as armas guerreiras.
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A fundação de Argos é colocada sob o signo do conflito entre Hera e Posídon, rivais por honras, e a colera de Posídon, devido ao excesso de honra a Hera, faz desaparecer os rios da Argólida, sendo necessário o retorno de Danau e suas filhas para trazer as águas de volta.
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A história de Io, sacerdotisa de Hera amada por Zeus, é um mito retrabalhado: Zeus a transforma em novilha branca para protegê-la da ciúme de Hera, que a faz vigiar por Argos, o monstro de cem olhos, morto por Hermes a mando de Zeus; Io foge, atormentada por um tavão, até o Nilo, onde dá à luz Épafo, filho de Zeus.
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Após esse longo desvio, a reconciliação com Posídon torna-se possível: a filha de Épafo, Líbia, concebe de Posídon os gêmeos Belo e Agenor, sendo Agenor o ancestral fenício da dinastia tebana e Belo o rei do Nilo, cujo neto Danau retorna à Argólida.
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Nessa história emaranhada reconhecem-se famílias de mitos sobre a origem do casamento, sobre a geografia do Mediterrâneo oriental e sobre a origem grega dos egípcios e fenícios, sempre com a intriga da fundação como resolução da questão do casamento e da água, ou seja, da fecundidade.
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Agenor, rei de Tiro, teve como filhos Europa, Cadmo, Fênix e Cílix; Zeus, apaixonado por Europa, transforma-se em touro, a rapta e a leva para Creta, onde com Zeus tem três filhos, Minos, Radamanto e Sarpédon, legitimando a realeza cretense diretamente de Zeus.
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Cadmo, exilado e condenado por Agenor a encontrar Europa, consulta o oráculo de Apolo em Delfos, que lhe manda fundar uma cidade onde encontrar uma novilha livre; seguindo a novilha, Cadmo procura água para sacrificar a Zeus e encontra a fonte de Ares, onde um dragão, filho de Ares, mata seus companheiros.
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Cadmo mata o dragão e, por conselho de Atena, semeia os dentes do dragão em terra, de onde nascem homens armados que se combatem e quase todos se matam, sobrevivendo os “Espartos”, que se tornam seus novos companheiros para a fundação de Tebas.
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Esse relato enreda um mito de origem da casta guerreira, um mito de autóctone e a associação de Ares e Atena para a fundação da cidade, com Cadmo, também “herói civilizador” dos Beócios, casando-se com Harmonia e tendo quatro filhas de destino trágico e um filho, Polidoro.
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A história de Sêmele, amada por Zeus e enganada por Hera, que a faz pedir que Zeus lhe apareça em todo seu esplendor, causa a morte de Sêmele fulminada, mas Zeus arranca da mãe o filho Dioniso, que nasce da coxa de Zeus e é criado em segredo por Ino, sobre pairando a hostilidade de Hera.
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Penteu, filho do Esparto Equíon e de Agave, rei de Tebas, despreza os deuses e quer proibir o culto de Dioniso, mas sua mãe, numa orgia dionisíaca, despedaça seu próprio filho, transformado em leãozinho, mostrando a questão do conflito de legitimidade entre a autóctone e a linhagem de Cadmo.
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A história de Atamante e Ino, que se cruza com o relato dos Argonautas, mostra Ino, casada com Atamante, odiando os filhos do primeiro leito, e Zeus proporcionando um carneiro alado a Frixo e Hele; Ino, envaidecida pela criação de Dioniso, provoca a fúria de Hera, que a enlouquece a ela e a Atamante.
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Atamante, furioso, mata Learco, enquanto Ino foge com Melicertes e ambos se atiram ao mar, onde são imortalizados por Posídon a pedido de Afrodite, transformando-se em Leucótea e Palaimon, divindades marinhas, enquanto Atamante, errante, torna-se rei dos lobos na Tessália.
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O epílogo de Cadmo e Harmonia mostra Cadmo, abatido, retirando-se da cidade e metamorfoseando-se em serpente, assim como Harmonia, e o ciclo tebano termina na fúria e na destruição, com a impossibilidade de estabelecer regras claras de parentesco e de transmissão do poder.
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Polidoro, filho legítimo de Cadmo, casa-se com Nícteis, filha do Esparto Ctonio, que priva o poder do filho Labdaco em favor dos tios maternos, perpetuando o conflito entre a autóctone dos Espartos e a filiação do rei fundador.
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O emaranhado genealógico da dinastia tebana prossegue com o filho de Labdaco, Laio, cuja soberania é afetada pela maldição de suas relações homossexuais e pelo oráculo que prevê que Édipo matará o pai e casará com a mãe, Jocasta, o que se cumpre.
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A revelação do segredo por Tirésias leva ao suicídio de Jocasta e à automutilação de Édipo, cujo exílio e o destino dos três filhos desembocam na guerra de Polinice contra Tebas e no fratricídio de Etéocles e Polinice, com o trono vago sendo retomado por Creonte.
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O relato da fundação de Tebas, afastando-se do campo mítico-mitológico, desemboca no fracasso da fundação, colocada sob o signo de Ares, da concorrência com Atena e da vindita de Hera, com a impossibilidade de instituir regras estritas de transmissão do poder devido ao emaranhamento das relações de parentesco.