O “mito” de Prometeu, reconstruído a partir das necessidades genealógicas da mitologia, encadeia sistematicamente, em um único relato, quatro origens: a do sacrifício, a do fogo humano, a das mulheres e, correlativamente, a dos males próprios da humanidade.
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Na “Teogonia”, Prometeu e Epimeteu são fixados genealogicamente como dois irmãos gêmeos, filhos do Titã Jápeto e da Oceânide Clímene, e a história começa com o ajuste de desavenças entre deuses e humanos em um banquete, onde Prometeu, com um ardil, distribui as partes do sacrifício de forma enganosa para favorecer os homens.
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Zeus, percebendo a astúcia, escolhe a aparência e, com raiva, institui a origem dos sacrifícios, nos quais os homens queimam os ossos envoltos em gordura nos altares, repetindo a primeira falta separadora, e, como contra-partida, Zeus retira o fogo dos humanos, mas Prometeu o rouba, escondendo-o no interior de uma férula.
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Zeus, vendo o fogo entre os humanos, maquina um contradom, um mal definitivo, e ordena a Hefesto a fabricação de Pandora, a “primeira mulher”, um artefato modelado em argila, adornado por Atena e Hefesto, que é exposto a deuses e homens como um “belo mal”, do qual provém a raça das mulheres, “grande flagelo para os mortais”, deixando os homens no dilema do celibato ou do casamento.
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Nos “Trabalhos”, o relato complementa a “Teogonia”, destacando a fabricação de Pandora, na qual Zeus a faz aprender os trabalhos com Atena, receber a graça, o desejo e os cuidados de Afrodite, e o espírito impudente e o coração artificioso de Hermes, sendo chamada Pandora porque é o dom de todos os Olímpicos aos homens que comem pão.
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A aceitação de Pandora por Epimeteu, contra o conselho de Prometeu, faz com que ela abra a jarra que continha todos os males, que se dispersam pelo mundo, restando apenas a Esperança, e a terra e o mar se enchem de males e doenças, consumando a diferenciação entre deuses e humanos, paralelamente à elaboração da teogonia e à instauração de um novo tipo de apercepção, a apercepção teotética.