Valor

INGARDEN, Roman. Über die Verantwortung: Ihre ontologischen Fundamente. Stuttgart: Reclam, 1970.

Prefácio de D. Gierulanka à tradução sob o título “O Homem e o Valor”

1. A presente obra reúne a tradução de seis ensaios de Roman Ingarden publicados na Polônia em 1972 sob o título “Pequeno livro sobre o homem”, aos quais foram acrescentados três estudos dedicados exclusivamente ao problema dos valores.

2. A configuração particular dessa coletânea, sem equivalente nas publicações polonesas de Ingarden, justifica a apresentação em duas etapas, mediante a reprodução do prefácio original ao “Pequeno livro sobre o homem” e um texto suplementar destinado à nova edição.

3. O prefácio original conserva um testemunho próximo das intenções antropológicas de Ingarden e do propósito editorial de transformar a diversidade de estilos e graus de dificuldade dos ensaios em uma progressão capaz de introduzir um público amplo à sua filosofia sem simplificações artificiais, objetivo confirmado pela recepção das sucessivas edições polonesas.

4. O acréscimo dos estudos sobre valores enriquece a articulação entre antropologia e axiologia, mas altera a unidade dinâmica da coletânea original, cuja dificuldade crescente culminava nas análises mais exigentes e encontrava uma conclusão em “Algumas palavras sobre a discussão fecunda”, expressão da extensão da responsabilidade moral à própria atividade intelectual.

5. A ligação entre antropologia e axiologia manifesta-se na importância atribuída aos valores na existência humana, mas a especificidade da abordagem ingardeniana reside sobretudo na formulação dos problemas relativos à essência dos valores e aos materiais, condições e modos pelos quais eles se realizam e se manifestam.

6. Os três estudos axiológicos apresentam estilos analíticos distintos e uma amostra representativa da investigação da essência dos valores, orientada por um pluralismo que exige pesquisas próprias para cada domínio, enquanto a elaboração mais sistemática dos valores estéticos somente se torna possível após décadas de análise da estrutura das obras de arte e de seus processos de recepção, permitindo reformular o problema de sua realização e objetividade.

7. Os três ensaios iniciais sobre a humanidade do homem enraízam-se na investigação dos objetos puramente intencionais que constituem a esfera cultural criada mediante a transformação de materiais naturais e a incorporação de valores, remetendo às análises ontológicas da estrutura e do modo de existência desses objetos e à tentativa de distinguir sua dependência da consciência daquela atribuída pelo idealismo ao mundo real.

8. A fundamentação ontológica aparece diretamente em “Sobre a responsabilidade”, cuja investigação mobiliza as estruturas formais dos objetos e do mundo, a organização causal da realidade, as condições de um determinismo compatível com a liberdade da vontade e a função do tempo na determinação do modo real de existência, aproximando o leitor do método desenvolvido em “A controvérsia sobre a existência do mundo”.

9. O ensaio “O homem e o tempo” articula uma expressão especialmente intensa do envolvimento existencial de Ingarden à busca de uma resposta para a ameaça de aniquilação trazida pela experiência da passagem temporal, vinculando a autorrealização da pessoa à sua relação com os valores e tornando particularmente explícita uma das conexões centrais da coletânea.