Diferença Ontológica, Existencialidade e Temporeidade na Ontologia Fundamental
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Diferença ontológica como distinção radical entre ser e ente para superação da confusão histórica entre essências ônticas e sentido do ser em si mesmo.
Crítica à fenomenologia husserliana por limitar a investigação à unidade de significado das essências, resultando em generalidades ônticas que negligenciam o significado do verbo ser.
Resgate da problemática platônica no Sofista para denunciar o esquecimento do ser em favor de qualidades como calor, frio ou essência, tratando-o como um mito ou como um objeto entre outros.
Proposição da ontologia como ciência puramente voltada ao ser, transcendendo o domínio das realidades e das essências particulares para atingir o domínio ontológico estrito.
Ontologia fundamental como fundamentação da possibilidade da filosofia a partir da análise da vida natural e da estrutura pré-ontológica humana.
Compreensão da redução fenomenológica não como ato isolado ou sobreposto à vida, mas como possibilidade emergente da própria estrutura existencial do homem.
Identificação da pre-ontologia inscrita no ser do homem como fundamento para a tematização explícita do ser, constituindo o que se denomina ontologia fundamental.
Caracterização de Dasein como ente cujo modo de ser consiste na presença do ser e na abertura constitutiva para a manifestação da realidade.
Definição de existência como ex-sistere a partir do ser, compreendida como o modo em que o homem chega a ser o que é em vista de seu próprio poder-ser.
Superação da filosofia da vida de Dilthey por meio da distinção entre estruturas vivenciais ônticas e a existencialidade ontológica como caráter radical da vida humana.
Rejeição da antropologia filosófica corrente em favor de uma compreensão do homem a partir do ser, visto que a existência humana é definida pelo seu relacionamento com o sentido do ser.
Mundo como horizonte de projetos e possibilidades em que a existência exerce o cuidado e promove a descoberta dos entes intramondanos.
Noção de verdade como alétheia ou patência, fundamentada na precedência ontológica da existência que desenha previamente o mundo para o encontro com as coisas.
Fenômeno da cura ou cuidado como motor da descoberta do ser de entes que não são a própria existência, estabelecendo a relação entre Dasein e o mundo.
Estrutura do precorrer como antecipação existencial que permite à existência situar-se além de suas determinações ônticas imediatas.
Temporalidade original como unidade tridimensional do ser expressa nas formas de futurição, preterição e presente atual.
Futurição como modo de ser que compreende o ser como possibilidade própria, permitindo o esboço de projetos existenciais antes de qualquer sucessão cronológica.
Preterição como compreensão do ser enquanto algo que já é, fundando o passado na abertura do futuro e não em uma linha temporal vulgar de momentos extintos.
Unidade da temporalidade como tempo originário e horizonte transcendental para a compreensão da diferença entre o ser e o ente.
Angústia e nada como vias de acesso à suspensão dos entes e à revelação do ser em sua pureza e vacuidade radical.
Papel da angústia na suspensão de todos os entes e na patentização do nada, revelando o ser sem os apoios ônticos habituais da vida cotidiana.
Filosofia entendida como escolha livre pela tematização explícita da transcendência, mantendo o homem conscientemente na clareira do ser.
Diversidade dos modos de ser entre a manualidade dos instrumentos e a simples presença objetiva de entes desvinculados do uso.
Distinção entre Zuhandenheit como modo primário de ser das coisas a mão e Vorhandenheit como característica secundária de objetos que apenas estão ali.
Historicidade como essência do Dasein, definindo o ser da existência como algo que acontece no horizonte da temporalidade e não como substância estática.
Superação da metafísica clássica por meio de uma ontologia que reconhece o ser como a luz que descobre e determina o que são os entes em sua totalidade.