Essa experiência kairológica do tempo, que exclui antecipação e apropriação, induz uma determinação da existência (então chamada “vida”) como abertura e resolução, pois apenas aquele que está constantemente disposto para o acontecimento imprevisível pode, no encontro da decisão, experimentar a verdade indisponível do tempo.
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A existência deve ser caracterizada por uma constante disposição e resolução para o acontecimento temporal imprevisível.
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A resolução para cada instante é necessária porque o kairos pode surgir de repente, e é nessa abertura que o homem vive o próprio tempo e experimenta sua verdade indisponível.
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A mesma perspectiva de uma vida concebida não por seu conteúdo, mas pela forma como se cumpre de modo histórico e não objetivável, é desenvolvida na aula de 1921 consagrada a Santo
Agostinho, onde a vida feliz é pensada a partir de seu modo de realização temporal.
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A vida feliz, em Santo Agostinho, é concebida por Heidegger não à luz daquilo que contém, mas segundo a forma como se cumpre.
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Esse cumprimento tem um duplo caráter: é histórico e não objetivável, justamente por ser temporal.