Esse excesso radical, irredutível ao tempo, ao mundo e à linguagem, manifesta-se em diversas “travessias” ou rupturas nos registros de sentido mais estabelecidos, caracterizando uma experiência paradoxal que, apesar de frequentemente evitada, é vivida e universalmente possível, merecendo, por isso, ser levada a sério filosoficamente.
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Os lugares de aparição desse excesso são múltiplos: ele desafia a nomeação e põe em xeque a linguagem, abala os poderes do sujeito ao irromper em uma existência individual, escapa à história ao surgir como escândalo na dimensão coletiva e faz explodir os limites do relato na literatura.
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O que importa, para além das diferentes encarnações, é o encontro com um evento do qual a consciência faz “experiência”, ainda que esta seja paradoxal por ir de encontro às próprias condições de toda experiência.
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Essa experiência é vivida, pode sê-lo por qualquer um, e sua incontestável “universalidade” não é afetada pelo fato de que, na maioria das vezes, dela nos desviemos logo em seguida.
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A possibilidade de o trato com o mundo se rasgar e deixar entrever um outro reino inominável pertence à natureza mesma da existência, e a experiência-limite, com o horror e o desnorteamento que a acompanham, merece ser questionada filosoficamente.