A sincronização, ou sincronia, aparece como ação que se abre como harmonia, feita desde lá e desde cá ao mesmo tempo, cumprimento matemático e incalculável, manifestação de harmonia, ligada ao logos e ao número, e se dá como marco ou detenção na via unitiva, vindo sem quase ser buscada e sem empenho.
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Harmonia é modelo da sincronização.
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O incalculável é condição do cumprimento.
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Logos e número são enunciados juntos.
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A via unitiva inclui detenção e marco.
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Ausência de empenho acompanha a ocorrência.
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No estado em que se deixou de esperar, ocorre sem ser notado o instante em que se cumpre o sincronizar da vida com o ser, da vida própria com a vida toda, e do ser vacilante com o ser simples e uno, e então o tempo não se suspende, mas se manifesta em esplendor e oferece seu fruto como dom que ultrapassa o que o tempo leva e o que sua velocidade deixa por não chegar a ser.
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O deixar de esperar é condição do instante.
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Vida e ser são postos em sincronização.
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Isolamento se conecta à vida toda.
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O uno é nomeado como ser simples.
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O fruto do tempo é descrito como dom.
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A velocidade do tempo deixa restos não realizados.
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O fruto do tempo cumpre preságios fracos e é profecia do cumprimento final, como dupla entrega do além e do agora.
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Preságios são ditos débeis e pouco formulados.
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Profecia é atribuída ao fruto do tempo.
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Além e agora são postos como dupla entrega.
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O tempo passa porque tem passos e vem de modo descontínuo, fazendo-se sentir como alguém, talvez um deus com lei que cala e oculta e que revela num de seus passos, figurado como deus do deserto, escondido e mediador, rei da idade de ouro que não abdica nem se deixa prender.
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Passos descrevem a descontinuidade do tempo.
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Lei do tempo inclui ocultação e revelação.
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Deus do deserto é nomeado como figura do tempo.
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Mediação é atribuída ao tempo.
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Rei da idade de ouro é imagem de soberania inaprensível.
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Esse deus ri de quem o julga fora do logos e também de quem o toma como uniforme ou apenas divisor, pois o tempo dá discernimento e separação de que dependem os modos verbais, e sua risa e choro ocultos parecem engendrar Dioniso, deus do teatro e do sofrimento, vida entrelaçada com morte, deus muriente sob máscara, enquanto o Crucificado não tem máscara e é revelação inteira.
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Logos e tempo são vinculados ao verbo humano.
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Modos verbais dependem de separação temporal.
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Uniformidade do tempo é recusada.
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O tempo não é só divisão, mas também unidade múltipla.
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Dioniso é posto como derivação mítica da risa e do choro.
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Máscara define Dioniso.
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O Crucificado é definido como sem máscara.
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O divino estabelece e renova lei múltipla e una, e Dioniso não dá sangue, mas vinho que solta o delírio enclausurado da ânsia anterior ao amor de união, enquanto sob ele a união se cumpre na confusão até que Apolo, deus da forma e do visível, oferece a máscara.
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Lei divina é ao mesmo tempo renovada e vencida.
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Vinho é dom dionisíaco.
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Delírio antecede o amor de união.
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Confusão acompanha a união.
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Apolo é nomeado como irmão e doador da máscara.
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Cronos não dá delírio nem substância, e ainda assim dá de si na substância do transcorrer, onde parece dar-se inteiramente neste agora que provém de sua mediação incessante.
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Cronos é dito rei sem substância.
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O transcorrer é o lugar do dom de Cronos.
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O agora é atribuído à mediação.
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É no transcorrer do tempo, mais que no simples passar, que Cronos se mostra e dá de si, e esse dom se oferece sem máscara na música e antes dela na musicalidade, lugar do tempo como a espacialidade é dos corpos, a visibilidade das presenças e a alma de tudo o que alenta, incluindo o pensamento mesmo quando nasce e murcha.
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Musicalidade é definida como lugar do tempo.
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Música é expressão posterior à musicalidade.
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Analogia com espacialidade, visibilidade e alma organiza os domínios.
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O pensamento é incluído no âmbito do que alenta.
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O transcorrer puro manifesta o ser do tempo sem substância e liberta o tempo da ocupação de fatos e sucessos, fazendo-o dar-se a ouvir e não a ver, como música anterior a toda música composta, de que é inspiração e fundamento, aproximada do rumor do mar, do vento manso e de certos silêncios sem expectativa e sem vazio.
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Ser do tempo é afirmado como não substancial.
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Fatos e sucessos são descritos como ocupação sofrida.
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Audição é privilegiada sobre visão.
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Rumor do mar e vento são analogias.
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Silêncios sem expectativa são aproximados da musicalidade.
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Pela música do coração inimaginável do tempo parece permanecer tudo o que passou e tudo o que passa sem acabar de passar, inclusive o que não teve substância mas teve avidez de tê-la, bem como o que interrompeu o fluir e o que não seguiu o curso do tempo com seus desertos e abismos, enquanto ver os efeitos do tempo já é juízo.
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Coração do tempo é figura de conservação.
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Passado incompleto é retido musicalmente.
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Avidez de substância é reconhecida no que não a teve.
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Interrupções e resistências ao curso do tempo são recolhidas.
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Visão é associada a julgamento.
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A música do transcorrer é também choro, recolhendo o choro do que passou e do que não chegou a dar-se, o gemido da possibilidade salvadora e o que foi negado aos que estão sob o tempo, como se o sentir do tempo se derramasse musicalmente sobre o sentir de quem o escuta padecendo-o, e essa música se dê no modo da oração.
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Choro é atributo da musicalidade.
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O não ocorrido e o negado são incluídos.
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Possibilidade salvadora é nomeada.
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O padecer acompanha a escuta.
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Oração é o modo final de doação musical.