Destruição da interpretação vulgar do tempo como sucessão de “agoras”: Heidegger identifica, desde
Ser e Tempo, uma interpretação do tempo que domina a filosofia ocidental desde
Aristóteles: o tempo como uma sequência linear e homogênea de “agoras” (
nunc) que “passam” irremediavelmente. Esta concepção, útil para a medição cronológica (horários, física), é, contudo, uma redução e um “nivelamento” do fenômeno temporal originário. Ela obscurece a riqueza do tempo ao privilegiar o presente-passante e ao conceber o passado como simplesmente “revolto” e o futuro como “ainda não”. A tese revolucionária de Heidegger é que “o tempo não passa”, mas “chega” (
kommt). Esta inversão desloca a questão da “fuga do tempo” para a “chegada do tempo”, abrindo uma dimensão onde passado, presente e futuro não são elos sucessivos, mas ekstases co-originárias que se interpenetram.