O si-mesmo como propriedade (
Eigentlichkeit) e não como eu: Em Heidegger, o
Selbst é explicitamente distinguido do “eu” (
Ich) subjetivo e cartesiano. No curso sobre
Nietzsche, ele escreve: “O si-mesmo [
das Selbst], a propriedade, não é o 'eu'”. A propriedade (
Eigentlichkeit) é o que cada
Dasein tem e é em próprio, sua tarefa irredutível e insubstituível (como a de Racine escrever
Berenice). O homem não “é” simplesmente, mas “tem a tornar-se” aquele que é, apropriando-se de suas possibilidades mais próprias. O si-mesmo não é, portanto, uma substância ou um núcleo identitário pré-dado, mas a conquista de uma relação autêntica consigo mesmo na abertura ao ser. Como observa F.
Fédier, a amizade convida menos a “ser si-mesmo” do que a “pôr-se em condições de ser si”.