O fenômeno como conceito grego e fundamento da fenomenologia: A palavra “fenômeno” (
phainomenon) é, como observou
Levinas, “arquigrega”. Ela designa o aparecente, aquilo que se mostra, se manifesta ou brilha (como os astros em Aratos). Heidegger, aprendendo com
Husserl a “ver” fenomenologicamente, radicaliza esta noção: a fenomenologia não é apenas uma ciência do que aparece imediatamente, mas o esforço para fazer ver aquilo que, sendo constitutivo do aparecente, ele mesmo se furta à mostra imediata. Em
Ser e Tempo, o fenômeno “em sentido privilegiado” é definido precisamente como “algo que, em primeiro lugar e na maioria das vezes, não se mostra justamente”, que está “em recuo”, mas que, ao mesmo tempo, “constitui o sentido e o fundamento” daquilo que vulgarmente aparece. Esta dupla estrutura—o que se mostra e o que, no se mostrar, se retrai—remete à essência da verdade como
aletheia (desvelamento que preserva o velamento). A fenomenologia torna-se, assim, uma “aletheiologia”, um acesso ao desvelamento do ser.