A desobstrução como operação fenomenológica: Qualificar esta tarefa de fenomenológica é quase um pleonasmo, pois a própria máxima “às coisas mesmas” (
zu den Sachen selbst) é, em seu princípio, desobstrutiva. A fenomenologia exige um retorno às origens da experiência, um despojamento das teorias e categorias pré-concebidas que obstruem o acesso ao fenômeno. A leitura desobstrutiva dos gregos por Heidegger exemplifica isto: ao ler
Platão ou
Aristóteles, ele não procura reconstituir um sistema doutrinal, mas reabrir a interrogação que os movia, libertando conceitos como
aletheia (verdade) e
logos de suas interpretações latinas posteriores (
veritas,
ratio). Esta abordagem não é uma simples restauração arqueológica (como desvelar uma sinopia sob uma fresca), mas um esforço para fazer com que o passado nos interpele novamente, colocando-nos “às voltas com ele” no nosso hoje.