O francês
on (
das Man) como existencial e fenômeno de época: A tematização do
on no §27 de
Ser e Tempo não é uma simples crítica social ou moral do conformismo, mas a análise de um
existencial—uma estrutura ontológica constitutiva do
Dasein. Heidegger insiste, na
Carta sobre o Humanismo, que essa análise não fornece uma “contribuição à sociologia” nem se reduz a um “negativo ético” da autenticidade pessoal. O
on é o modo pelo qual o
Dasein, inicial e na maioria das vezes, compreende a si mesmo e ao mundo: através da opinião pública, dos ditames anônimos do “se faz”, do “se diz”, da mediania niveladora. Esta ditadura do impessoal, que suprime a singularidade e a responsabilidade, já fora intuída por pensadores como
Kierkegaard (a “tirania dos jornais”) e Tocqueville (o “despotismo suave” das sociedades democráticas), e ressoava fortemente no clima cultural dos anos 1920, encontrando ecos no surrealismo, em Brecht e em diversas críticas ao conformismo burguês.