A consciência moral (
das Gewissen), distinta da consciência como presença a si (
das Bewußtsein), é tematizada por Heidegger em
Ser e Tempo como um fenômeno originário do
Dasein, enraizado na estrutura do cuidado (
Sorge). Sua análise concentra-se na “voz da consciência”, uma expressão de proveniência cristã e filosófica (Rousseau,
Kant,
Fichte) que Heidegger assume e radicaliza. Em Fichte, especialmente, este apelo atinge um ponto de extrema subjetivação, o que permite a Heidegger, ao mesmo tempo que se apropria da formulação, desobstruir o conceito metafísico de sujeito. A voz da consciência não é primariamente um remorso ou uma instância de julgamento interior (um “superego”), mas um “apelo” (
Ruf) que interpela o
Dasein a partir de sua própria abertura. Este apelo é a “reclamação do cuidado a partir da estranheza do ser-no-mundo”, convocando o
Dasein para seu “poder-ser-culpável mais próprio”.