A urgência (
Not) em Heidegger não é pensada como necessidade corporal, psicológica ou carência mundana, mas como uma relação específica e originária com a história e o advento (
Geschichte). Uma primeira aproximação aparece na
Introdução à Fenomenologia da Religião (
GA60 1920-21), onde a expectativa da
parousia cristã é definida como uma “pressão absoluta” (
absolute Bedrängnis), um “ser-acuado” (
θλῖψις) no qual o cristão se situa ativamente. A urgência possui, desde então, um significado histórico (
geschichtlich): é um modo de estar lançado e, simultaneamente, uma escolha diante do que advém. Na conferência
Da Essência da Verdade (
GA34 1930), esta estrutura se aprofunda: o
Dasein, submetido ao reino do segredo (
Geheimnis, o abrigo no recuo) e à pressão da erronia (
die Irre, a dimensão aberta e desviante da verdade), é posto na “urgência do urgir” (
in der Not der Nötigung). O
Dasein é, assim, o “giro no coração da urgência” (
die Wendung in die Not), o ponto de viragem onde a verdade do ser se decide.