Rejeição da interpretação metafísica do espírito como instância suprassensível e busca de uma compreensão mais originária, situada “além da metafísica”. Em seus primeiros escritos, Heidegger já fala de uma “filosofia do espírito vivo” e da fenomenologia como “ciência originária do espírito absoluto em e para si”, identificando-o com a “vida fática” que não se opõe, mas implica o suprassensível. No entanto, o termo, por seu peso metafísico, será pouco usado após meados dos anos 1930, reaparecendo principalmente em diálogos com a poesia (
Hölderlin, Trakl). O diagnóstico de 1935, na
Introdução à Metafísica, aponta para um “obscurecimento do mundo” e uma “perda de poder do espírito”, criticando suas interpretações reducionistas como inteligência, instrumento para fins externos (como a organização racial), cultura ou ornamento. Contra isso, Heidegger define o espírito como “o que sustenta e rege, o que ocupa o primeiro e o último lugar”, fundamento de toda força, beleza e autenticidade, cujo despertar condiciona um “mundo originário do
Dasein histórico” e a própria “missão histórica do povo”.