O
início (
Anfang) em Heidegger não é um evento histórico pontual situado no passado, mas um elemento da história do ser entendida como “escatologia do ser”, uma ruptura originária que, enquanto o que há de mais grande, já está desde sempre à frente de tudo o que vem depois, incluindo a nós mesmos. Ele se situa, portanto, diante de nós como uma tarefa e uma interpelação. O conceito, elaborado decisivamente a partir do curso de 1932 sobre o início da filosofia ocidental e aprofundado nos
Contribuições à Filosofia [
GA65], designa o “desdobramento do próprio ser” (
Wesung des Seins selbst), sendo assim cooriginário com a verdade (
aletheia). Sua compreensão exige um pensamento “historial” que renove o sentido grego de
archè, entendido não em sua aceitação aristotélica posterior e “alargada”, mas como “início e reinado” simultâneos, uma abertura que instaura e governa um âmbito de manifestação.