HEIDEGGER, Martin. Identity and Difference. Translated and with an Introduction by Joan Stambaugh. New York: Harper & Row, 1969
Isso leva Heidegger à forma de pertencimento conjunto do homem e do Ser em nossa era atual da técnica. Um breve comentário pode ser inserido aqui sobre a ênfase de Heidegger no pensamento como aquilo que o homem é. Alguém poderia perguntar: o homem não é mais do que pensamento, ele não tem também emoções, necessidades quanto à sua forma de viver, problemas práticos, etc.? A compreensão de Heidegger sobre o homem não é muito racionalista, muito idealista em sua ênfase no pensamento? A essa pergunta, deve-se responder: todos esses aspectos do homem estão incluídos no que Heidegger chama de pensamento. O pensamento não é o “andar superior” do ser de dois níveis que é o animal racional. O pensamento na forma do Logos, por exemplo, trouxe todo o mundo da técnica e a era atômica, que é bastante concreta. A técnica não é apenas algo que o homem adquiriu como um acessório. Neste momento, é o que ele é.
A “técnica” não é nada técnico. Nem sequer é um “produto” do homem. A maneira como o homem e o Ser se relacionam (13) no mundo da técnica é o que Heidegger chama de estrutura. A estrutura é muito mais real do que toda a energia atômica e todas as máquinas. Mas não é necessariamente algo definitivo. Pode ser um prelúdio para o que Heidegger chama de evento de apropriação (Ereignis). O evento de apropriação é o reino em que o homem e o Ser se alcançam em seu âmago. Eles perdem as determinações que lhes são impostas pela metafísica.
A metafísica considera a identidade como uma característica fundamental do Ser. Para Heidegger, o Ser e o pensamento pertencem a uma identidade cuja natureza atuante deriva do deixar pertencer juntos, que é chamado de evento de apropriação. Levou dois mil anos de reflexão para chegar a uma compreensão da identidade como identidade transcendentalmente mediada. Não podemos esperar compreender instantaneamente o significado da identidade não metafísica que Heidegger nos mostra aqui. (1969, p. 13)