TEMPO COMO SENTIDO DO SER (1982)

SCHÜRMANN, Reiner. Le principe d’anarchie. Heidegger et la question de l’agir. Paris: Seuil, 1982.

Desconstruir o agir é arrancá-lo do domínio da ideia de finalidade, da teleocracia em que permanece desde Aristóteles. Desconstrução não é, portanto, destruição. No final da introdução de Ser e tempo, Heidegger anunciava uma “destruição fenomenológica da história da ontologia”. Daí viria uma tarefa de releitura dos filósofos. O objeto da destruição são os sistemas filosóficos transmitidos, os livros. Heidegger buscava encontrar, graças a esse método, a experiência de pensamento que havia dado início a cada ontologia. A matéria da desconstrução, por outro lado, são as constelações da presença ao longo dos tempos. Se o encerramento deve ser compreendido tal como o esboçamos, se é essa perturbação das regras onde se reordena o conjunto da constelação que chamamos de cultura, a desconstrução é necessariamente abrangente, indivisível. O Abbau não pode estar contido dentro de uma “região”, de uma ciência determinada ou de uma disciplina. A ação não se deixa desconstruir isoladamente. Por isso, é preciso primeiro tornar-se fenomenólogo dos princípios epocais.