Resposta à modalidade sempre nova segundo a qual o mundo desdobra as coisas e segundo a qual as coisas dão configuração ao mundo
Resposta à sua “intimidade”, ao “entre-dois onde mundo e coisa diferem”, ao evento de sua constelação mútua
Resposta ao Ereignis, portanto, cuja estrutura de apelo já foi vista
A responsabilidade deslocada para o domínio da linguagem e do ser
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A essência responsorial da responsabilidade a tira do domínio moral para implantá-la no domínio da linguagem
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Resposta ao evento de apropriação que se articula em silêncio e que não é “nada de humano”
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Esta reimplantação topológica não faz da responsabilidade um fenômeno puramente linguístico
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O “encaminhamento para a palavra” designa um
Unterwegs que não se limita à inteligência nem ao indivíduo
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Impossibilidade de reduzir o deslocamento a um mero fatalismo ou automatismo
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Não se pode concluir deste deslocamento uma simples absorção de todo projeto na Geworfenheit (ser-lançado)
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Não se pode concluir um automatismo sem falha da resposta econômica, ou seja, a impossibilidade da irresponsabilidade
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A irresponsabilidade redefinida como
adikía
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Para Heidegger, irresponsabilidade significa doravante a mesma coisa que adikía
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O conceito de responsabilidade é assim desalojado de seu contexto de cargas e descargas
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O olhar fenomenológico percebe que o ente primeiro (lei, consciência, Deus, etc.), que intima outro ente (o ator) a prestar contas, funciona como princípio de ordem em um sistema de contas
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Em tal dispositivo, a irresponsabilidade é a infração ao princípio de ordem
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A irresponsabilidade na época da clausura
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Com o fim da história epocal, ser irresponsável não significa mais contravenir a um ordenamento da presença
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Na época da clausura, ser irresponsável é contrapor-se à vinda múltipla que é a presença desconstruída
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O que se contrapõe a tal vinda múltipla, ao
phyein, ao
Ereignis?
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É todo ente e todo ato que “procura persistir”, que “procura endurecer-se na permanência”, que “não quer ceder seu lugar”
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É tudo o que se assemelha de perto ou de longe à hýbris de um princípio epocal
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O tempo é duração apenas sob e pelo reino desses princípios
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Consequência da ruptura da metafísica: o deslocamento anárquico da responsabilidade
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A ruptura que é o fim (possível) da metafísica dissolve no instável aquilo por que e de que se pode ser responsabilizado
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A virada permite pensar um deslocamento não apenas econômico, mas anárquico da responsabilidade
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Este deslocamento final tira a responsabilidade da regência de uma instância primeira e a situa em outro lugar: o da vinda à presença
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O deslocamento anárquico da responsabilidade é a condição prática para pensar a diferença entre mundo e coisa
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Em uma economia desprovida de princípio epocal, a existência responsorial será responder aos modos sempre novos pelos quais as coisas se unem em um mundo e dele diferem
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