Tradicionalmente, o conceito de finalidade serve para regular e legitimar a
praxis
Contudo, as aspirações, a eficácia, o rendimento caracterizam a existência apenas na medida em que o ser foi pré-compreendido de maneira calculadora, como calculável
A descrição do “cuidado” em
Ser e Tempo e a insistência no projeto e no “em vista de que” podem não estar inteiramente livres do quadro teleocrático
A apropriação e restrição do princípio de razão por Heidegger
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“Uma coisa, tal como a rosa, não está sem razão, e no entanto é sem porquê”
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Como a metáfora dos Holzwege, o “sem porquê” reduz o campo de aplicação da causalidade final
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A negação prática da finalidade não significa a abolição de toda representação de fim, mas sua restrição ao único domínio da produção
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O propósito anti-teleocrático na interpretação de
Nietzsche
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Heidegger cita
Nietzsche: “A 'ausência de fim em si' é nosso princípio de fé”
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O “fim em si” significa o “sentido”, compreendido por
Nietzsche como “valor”
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Heidegger, porém, propõe não pensar mais o niilismo de modo “niilista”
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A falta de valor e de fim não deve significar uma falta, um vazio
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Estas caracterizações niilistas querem dizer algo afirmativo, um modo de desdobramento essencial, uma maneira como o ente em sua totalidade se faz presente
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A palavra metafísica para isso é: eterno retorno do mesmo
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A interpretação heideggeriana do eterno retorno como uma “metafísica” é atravessada por passagens onde o deslocamento anárquico se torna patente
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A ausência de fim designa uma economia da presença
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Antecipando uma ordem onde não reina nenhum “fim em si”, o eterno retorno traduz a negação econômica da finalidade em sua negação prática
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Vista desde a economia principial da tecnologia, a negação prática da finalidade pode parecer um “desabrochar de um delírio”
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No entanto, como Mestre
Eckhart já dissera do agir, o homem verdadeiro age porque age, assim como a rosa floresce porque floresce